Cristina reabre embate com ruralistas

Em meio a uma série de protestos sindicais e uma onda de saques no interior da Argentina, a presidente Cristina Kirchner abriu mais uma frente de batalha político-econômica com a oposição ao confiscar o centro de exposições da Sociedade Rural Argentina, no bairro de Palermo. Militantes kirchneristas picharam as paredes do prédio, sede de dois eventos críticos ao governo, com frases peronistas para festejar a expropriação.

AE, Agência Estado

23 de dezembro de 2012 | 11h41

A tensão social é grande em diversas províncias argentinas governadas por aliados de Cristina que não estão recebendo fundos federais suficientes para pagar o funcionalismo provincial. Lenta e gradualmente, os governadores - outrora leais - começaram a criticar a presidente. Na sexta-feira, a onda de saques que começou em Bariloche chegou à Grande Buenos Aires, um tradicional reduto do kirchnerismo. Nos últimos meses, o governo de Cristina, que se depara com um crescente déficit fiscal, reduziu os subsídios que beneficiavam vários setores da população mais pobre.

No início da semana, o anúncio do aumento de até 40% nas tarifas dos ônibus e trens na área metropolitana da capital do país também intensificou a irritação popular com a presidente.

Desafiante, o governo celebrou o anúncio da estatização do edifício dos ruralistas. Segundo o kirchnerismo, a venda do prédio à Sociedade Rural, durante o governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), em 1991, havia sido irregular e por isso foi anulada. Os produtores agropecuários encararam a medida como uma vingança pelos diversos locautes que o setor realizou em 2008 e 2009 em protesto contra o tarifaço agrário da presidente.

Os analistas políticos dizem que esse é mais um caso em que a presidente abre uma frente de batalha gratuita, sem chances de obter dividendos políticos úteis com os confrontos. O governo busca culpados na oposição.

Outra área onde Cristina encontra problemas é a relação com os sindicatos. Neste ano, o governo rachou com o líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT), o caminhoneiro Hugo Moyano. No ano passado, o sindicalista havia pedido mais espaços de poder dentro do Parlamento e nos ministérios. No entanto, Cristina optou por menosprezar o aliado e cedeu-lhe apenas uma vaga na Câmara de Deputados.

Cristina tem desagradado também a classe média. As restrições que aplicou desde novembro do ano passado sobre o dólar impediram o acesso dos argentinos à moeda americana, o principal refúgio financeiro da classe média do país, o que provocou uma queda em sua popularidade. Irritada com a presidente, a classe média realizou dois grandes panelaços no segundo semestre deste ano.

Os analistas também destacam que a presidente encerra-se cada vez mais em um círculo menor de colaboradores. Além disso, confere cada vez mais poder aos ultrakirchneristas, agora conhecidos como "cristinistas". Grande parte dos novos aliados que demonstram lealdade incondicional à presidente são os integrantes de La Cámpora, a juventude kirchnerista, fundada por seu filho, Máximo Kirchner. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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