Cristina recebe navio retido em Gana e critica credores

Presidente argentina pede a criação de uma nova ordem mundial na qual os 'fundos abutres' não existam

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2013 | 02h02

"Pátria sim, colônia não!" Com estas palavras a presidente Cristina Kirchner recebeu ontem no início da noite no balneário de Mar del Plata a fragata Libertad, navio-escola argentino, que esteve mais de dois meses retido no porto de Tema, em Gana, por um embargo solicitado pelo fundo NML à Justiça ganense. Cristina aproveitou o evento para fazer duras críticas aos credores internacionais. No discurso, realizado em um palanque na frente do navio, a presidente disse que defenderá a todo custo a "soberania financeira" do país.

"Pela extorsão e pela força ninguém conseguirá nada da Argentina", disse Cristina, pedindo a criação de uma nova ordem mundial na qual os "fundos abutres" não existam. "Esses fundos são produtos da crise global, que é uma espécie de anarco-capitalismo onde não há regras. Os abutres são as aves que começam a voar sobre os mortos para comer a carniça. O que eles fazem? Voam sobre os países endividados em estado de calote... São depredadores sociais globais!" A presidente prometeu resistir ao embate dos credores.

Nos últimos meses vários fundos empreenderam uma ofensiva na Justiça internacional para pressionar o governo de Cristina Kirchner a pagar a totalidade nominal dos bônus.

Dezenas de milhares de militantes kirchneristas, transportados por prefeitos dos municípios da Grande Buenos Aires (onde o kirchnerismo tem seu feudo eleitoral) e por governadores de diversas províncias, além de funcionários públicos de ministérios e secretarias que foram até Mar del Plata e entoaram cânticos de respaldo à presidente.

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