Cristina recebe ruralistas

Apesar de retomar diálogo, presidente mantém pressão

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

A presidente Cristina Kirchner reuniu-se ontem com os líderes das quatro associações ruralistas para retomar o diálogo, após um prolongado e intenso conflito que abalou a Argentina. Nos últimos 105 dias, os dois lados foram protagonistas de um confronto sem precedentes na história argentina, que provocou quatro locautes agrários e o estancamento de diversos setores da economia, além de uma disparada da inflação. No encontro, realizado na Casa Rosada, os ruralistas pediram à presidente que elimine os aumentos dos impostos sobre as exportações agrícolas, pivô do confronto. Segundo os ruralistas, Cristina nada respondeu. "O jogo está apenas começando", disse o presidente da Confederação Rural Argentina, Mario Llambías, após o encontro. "Ainda temos 90 minutos de jogo duro pela frente", acrescentou, com uma analogia futebolística.Llambías referia-se à disputa iniciada no fim da noite de ontem no Congresso, onde está sendo debatido o projeto de lei da presidente para implementar os polêmicos aumentos tributários sobre o setor agrícola. Apesar da retomada do diálogo, as pressões do governo sobre o setor ruralista continuam intensas. Mais de 15 mil produtores rurais estão na lista do Fisco da Província de Buenos Aires, a maior do país. Segundo as autoridades, eles serão intimados como "sonegadores" nos próximos dias. Outros 80 mil já foram convocados pelo Fisco em maio.Outro sinal de pressão foi a instalação de um acampamento kirchnerista na frente do Congresso. Os partidários de Cristina prometem acompanhar dali o debate sobre o projeto de lei. Com o acampamento, os kirchneristas também pretendem dissuadir os ruralistas de instalar suas próprias barracas, como haviam prometido sexta-feira.Ontem o senador Gerardo Morales, líder da União Cívica Radical (UCR), um dos principais partidos da oposição, acusou o governo de estar "comprando" congressistas para poder garantir sua vitória na votação do projeto de aumento de impostos. Morales disse que o governo está oferecendo subsídios para diversos setores de peso nas economias provinciais, de forma a seduzir deputados e senadores. A Província de Mendoza receberia fundos extras para o setor vinícola; a de Misiones, para a produção de erva-mate e a de Jujuy, para o cultivo de fumo. "É uma vergonha", afirmou Morales.

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