Juan Mabromata/AFP
Juan Mabromata/AFP

Cristina se apresenta à Justiça nesta quarta-feira para se defender de acusação

Ex-ministro da Argentina disse que Banco Central atuou de forma transparente em suas operações

O Estado de S. Paulo

12 Abril 2016 | 20h04

BUENOS AIRES - O ex-ministro de Economia da Argentina e atual deputado Axel Kicillof rejeitou nesta terça-feira a acusação de suposta fraude do governo argentino num comunicado apresentado ao juiz do caso. No mesmo processo, a ex-presidente Cristina Kirchner, que não tem mais foro privilegiado, deve prestar declarações nesta quarta-feira.

“A acusação é tão absurda que não sei por onde começar a explicação. Cada vez que o BC intercede é com fins regulatórios”, disse Kicillof no comunicado enviado ao juiz Claudio Bonadío. 

O ex-ministro, que conta com imunidade por ser deputado, esteve por cerca de 50 minutos na sede do tribunal, onde chegou acompanhado por outros legisladores da kirchnerista Frente para a Vitória e foi recebido por dezenas de simpatizantes e pela líder do grupo Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini.

A Câmara Federal de Apelações confirmou nesta terça-feira que o juiz Bonadío será o responsável pelo processo, após outro réu no caso acusá-lo de falta de imparcialidade.

Kicillof compareceu nesta terça-feira perante Bonadío após ser citado para declarar sobre operações cambiárias do Banco Central realizadas nos últimos meses do mandato de Cristina Kirchner, que governou a Argentina entre 2007 e 2015. Ele se limitou a apresentar sua defesa por escrito e rejeitou responder perguntas do magistrado.

“É um expediente de umas mil páginas. O primeiro que se observa é que não há nenhum delito, nem de corrupção, nem de suborno, contra nenhum funcionário. Não houve negociação do Banco Central”, insistiu o ex-ministro. Ele acrescentou que é legal que o Banco Central opere no mercado.

O processo foi aberto no ano passado por uma denúncia de líderes do Cambiemos, a aliança de centro-direita liderada pelo presidente Mauricio Macri, que assumiu a chefia de Estado em 10 de dezembro.

Kicillof lembrou que nem ele nem a ex-presidente estavam incluídos na denúncia original, segundo a qual “havia um problema de valor de dólar futuro, não tinha nada a ver com suborno”.

“É um caso de política armada onde não há acusação. A política econômica não é matéria penal”, acrescentou.

O juiz Bonadío investiga se Cristina e Kicillof participaram de uma manobra pela qual o Banco Central ofereceu dólares a um preço muito mais baixo que o valor de mercado para entrega em 31 de março, sob o novo governo.

Segundo o juiz, a manobra causou ao Estado uma perda de aproximadamente 77 bilhões de pesos (cerca de US$ 5,2 bilhões no câmbio atual).

Segundo Kicillof, “todas as autoridades monetárias do mundo realizam intervenções em diversos mercados com o objetivo de alterar os preços vigentes de acordo com as metas de política econômica que buscam alcançar”. 

O ex-ministro insistiu que atuou de forma transparente “no mercado correspondente... sem a possibilidade de a autoridade monetária conhecer quem é o outro participante     em nenhuma de suas operações”.

Cristina, que deverá prestar declarações nesta quarta-feira em meio ao mesmo processo, foi recebida por uma multidão ao chegar na noite de segunda-feira no aeroporto proveniente de Santa Cruz, na Patagônia, onde se encontrava desde que deixou a presidência, em 9 de dezembro.

Ativistas prepararam para esta quarta-feira uma grande mobilização diante do tribunal onde Cristina prestará declarações como uma demonstração de força da oposição. 

Ao ser questionado sobre a situação de Cristina, o presidente Macri disse que a impunidade acabou na Argentina. “É uma etapa de maior liberdade, não apenas para abrir investigações, mas também para que a justiça atue de forma independente”, disse Macri, que está incluído no chamado Panama Papers, uma lista de personalidades com companhias abertas em paraísos fiscais.

Um promotor está investigando Macri por ter omitido sua relação com duas empresas em suas declarações anuais de imposto de renda. / AFP e AP

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