Cristina toma posse e anuncia criação de secretaria

A presidente argentina confirma a abertura de órgão para o Comércio Exterior, comandado por Guillermo Moreno

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h04

Quebrando o protocolo ao incluir no juramento uma citação ao ex-marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, morto em 2010, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, tomou posse de seu segundo mandato ontem, no Congresso Nacional. Diante dos convidados, entre eles a presidente brasileira, Dilma Rousseff, Cristina anunciou a criação de uma secretaria de governo para o Comércio Exterior.

Reeleita em outubro com 54% dos votos válidos, Cristina governará o país até 2015. No discurso de posse, a presidente fez um apelo aos tribunais para que acelerem os julgamentos de militares que cometeram violações aos Direitos Humanos durante a ditadura. Depois, concentrou-se em temas econômicos.

Em seu novo mandato, Cristina contará com uma estrutura específica para importações e exportações. "Nestes tempos nos quais falamos de sintonia fina, vamos ter, no âmbito do Ministério de Economia, uma Secretaria de Comércio Exterior junto com a de Comércio Interior, como em todos os países", afirmou.

Para dirigir a entidade, foi designado o atual secretário do Comércio, Guillermo Moreno.

Cristina destacou a importância de receber turistas da região para recuperar o setor: "Especialmente os principais turistas, os brasileiros".

Antes de encerrar o discurso, Cristina ainda agradeceu o apoio do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que cancelou a viagem a Buenos Aires. O argumento do líder bolivariano foram "as fortes chuvas" que caem na Venezuela. Em Caracas, Chávez tenta dissipar boatos de que a ausência tenha sido por uma piora em seu estado de saúde.

O presidente peruano, Ollanta Humala, também cancelou a presença na capital argentina, alegando que não viajaria para tratar de " problemas internos".

O analista político Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nova Maioria, disse ao Estado que, embora com um cenário econômico mais complexo, a presidente inicia o segundo mandato mais fortalecida politicamente do que em sua primeira posse, em 2007. Fraga lembra que Cristina obteve 9 pontos percentuais a mais do que na eleição anterior e, além disso, a oposição está mais desarticulada do que há quatro anos.

O analista sustenta que, de forma geral, o empresariado, depois de anos de tensão, agora está alinhado com a presidente.

Segundo Fraga, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), liderada pelo sindicalista Hugo Moyano - um antigo aliado que nos últimos meses entrou em rota de colisão com a presidente - é um dos poucos obstáculos ao poder de Cristina.

Aprovação. Na disputa pela reeleição, Cristina obteve a maior proporção de votos de um presidente desde a volta da democracia, em 1983. Segundo a consultoria Poliarquia, Ela possui 69% de aprovação popular e somente 14% de imagem negativa, apesar de escândalos de corrupção terem surgido durante seu primeiro governo.

A oposição, enquanto isso, possui apenas 20% de aprovação e 45% de imagem negativa. A presidente ampliou, neste ano, o gasto em publicidade oficial, que saltou de US$ 65 milhões, em 2007, para US$ 172 milhões.

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