Cristina visita em Cuba 'salvador' da Argentina

Durante anos, Chávez foi o único a comprar títulos da dívida argentina, enviar petróleo e socorrer o governo dos Kirchners

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2013 | 02h04

BUENOS AIRES - Os vínculos entre o presidente Hugo Chávez e o casal Kirchner foram intensos durante quase uma década. Entre 2005 e 2008, Caracas transformou-se em "salva-vidas" financeiro da Argentina ao ser o único comprador estrangeiro dos títulos da dívida pública do país em um momento em que Buenos Aires estava isolada nos mercados.

Nesse período, a Venezuela adquiriu US$ 9,2 bilhões em títulos que Chávez chamava de "Bônus Kirchner". No entanto, apesar do discurso de irmandade, o venezuelano cobrou pesados juros de 14%. Chávez também enviou petróleo para a Argentina nas diversas ocasiões em que o país ficou à beira da crise energética. O preço dos barris, porém, superava a cotação internacional.

Em troca, Chávez recebeu apoio ostensivo do casal Kirchner para que a Venezuela tivesse maior presença regional. A Argentina fez de tudo para colocar Caracas dentro do Mercosul, até ter sucesso, em julho, após a suspensão do Paraguai.

A empatia entre o casal Kirchner e Chávez também rendeu uma disparada no intercâmbio comercial bilateral. A relação Chávez-Kirchner, contudo, teve problemas. Em agosto de 2007, estourou o "escândalo da maleta": a entrada na Argentina de US$ 790 mil em um avião vindo de Caracas, alugado pelo governo argentino, com autoridades da estatal PDVSA. Venezuelanos detidos pelo FBI afirmaram que o dinheiro era para a campanha presidencial de Cristina. Há indícios do envio irregular de pelo menos US$ 5 milhões adicionais.

Analistas dizem que Venezuela e Argentina têm um ponto em comum: a intervenção estatal na economia. Mas, enquanto Chávez pagou a maioria das expropriações, o casal Kirchner nada fez. Há poucos anos, Chávez brincou sobre paralelos entre o chavismo e o peronismo. Diante de afirmações da imprensa portenha de que Cristina era chavista, ele disse: "Ela não é chavista. Eu é que sou peronista".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.