Cristina vota pela última vez como presidente argentina

Embora estivesse proibida por lei de pedir votos para seu candidato, Daniel Scioli, Cristina fez comentários relacionados ao candidato conservador, Mauricio Macri

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2015 | 13h38

BUENOS AIRES - A 18 dias de deixar o poder, a presidente argentina, Cristina Kirchner, votou ao meio-dia (13 horas em Brasília) deste domingo, 22, quando já haviam feito o mesmo 21% dos eleitores. Embora estivesse proibida por lei de pedir votos para seu candidato, Daniel Scioli, ela fez várias referências à crise institucional e econômica de 2001, associada pela campanha governista ao conservador Mauricio Macri, que aparece na frente em todas as pesquisas.

"Eu era senadora e tive de sair (em 2001) à meia-noite do Congresso com o ex-presidente Raúl Alfonsín porque o Parlamento estava cercado por gente enfurecida. Só a esta hora conseguimos sair, com um cordão de isolamento. Jogaram garfos, colheres, panelas. Os políticos não podiam sair de casa", disse a presidente a vários canais de TV, que transmitiram seus comentários ao vivo. Ela vota em Río Gallegos, berço político da família, a 2,5 mil quilômetros de Buenos Aires.

A presidente disse que há diferença clara entre os dois projetos e "nada é para sempre". "O futuro depende das políticas públicas do Estado. Durante todos esses anos o Estado acrescentou coisas. Antes, tirava coisas", afirmou, também seguindo a linha da campanha de Scioli, que atribui a Macri um ajuste eminente que desvalorizaria o peso.

Cristina termina seus dois mandatos com aprovação de 40% e preferiu não se candidatar a nada. Seus críticos acreditavam que ela recorreria a algum cargo parlamentar para se proteger de eventuais ações na Justiça. A causa mais importante envolvendo sua família é a Hotesur, que investiga lavagem de dinheiro. Há indícios que diárias do hotel Alto Calafate foram pagas por um empresário amigo dos Kirchners, Lázaro Báez, sem que os quartos estivessem efetivamente ocupados. A Justiça investiga se as licitações que ele obteve durante os 12 anos de kirchnerismo, iniciados com Néstor (2003-2007), têm relação com esses pagamentos.

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