Cristóvão Colombo, o novo inimigo de Cristina Kirchner

O genovês Cristóvão Colombo nunca colocou seus pés no atual território argentino. No entanto, sua centenária estátua, em uma praça atrás da Casa Rosada, na vista que a presidente Cristina Kirchner tem desde seu escritório para o elitista bairro de Puerto Madero e o Rio da Prata, tornou-se alvo de controvérsia entre o governo federal, a prefeitura e a comunidade italiana.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2013 | 02h06

Na sexta-feira, o governo Kirchner começou a remover o monumento de 623 toneladas de mármore de Carrara. Cristina considera o navegante um "genocida" dos indígenas das Américas. Imediatamente, o prefeito Mauricio Macri enviou funcionários para impedir a retirada, argumentando que a praça e a estátua são da cidade de Buenos Aires.

Cristina quer trocar a estátua do navegador que chegou à América em 1492 por uma da boliviana Juana Azurduy, mulher que esteve com as tropas argentinas na luta da independência. Azurduy, que nasceu e morreu em Sucre, na Bolívia, é uma das heroínas da presidente, que a cita com frequência em discursos. Sua estátua será financiada com US$ 1 milhão doado pelo presidente boliviano, Evo Morales.

"Cristina quer retirar a estátua por teimosia", critica o secretário de Espaço Público portenho, Diego Santilli, que acusa o governo de se apropriar em 2007 da Praça Colón (Colombo, em espanhol), onde está a estátua do navegante. Naquele ano a prefeitura permitiu que o governo construísse uma grade ao redor da praça, por segurança noturna. Mas o governo transformou a praça em um jardim dos fundos da Casa Rosada, sob a janela do escritório de Cristina. "Ela acha que todas as coisas são dela!", reclama Santilli.

A estátua de Colombo foi doada à Argentina pela comunidade italiana em 1910, em agradecimento pela acolhida aos imigrantes. Na época, o país celebrava o centenário do início do processo de independência. "Não entendemos porque o governo Kirchner não nos consultou sobre a transferência", lamentou um representante da comunidade italiana em Buenos Aires. A prefeitura, governada por Macri, rival político de Cristina, ameaça denunciar a presidente Cristina por "roubo". "Se deixarmos isso ocorrer, na próxima nos levam o Obelisco", disse ontem o chefe de gabinete da prefeitura, Horacio Rodríguez Larreta, referindo-se ao principal monumento da cidade.

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