Criticado por falta de liderança, premiê japonês renuncia

País terá 6º líder em 5 anos; Naoto Kan deixará o cargo em meio a críticas após terremoto que devastou o país.

BBC Brasil, BBC

26 de agosto de 2011 | 09h33

Pressionado, o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, apresentou sua renúncia nesta sexta-feira, abrindo caminho para o sexto líder do país em cinco anos.

Kan foi criticado por falhar em sua liderança após o terremoto e o tsunami que devastaram parte do país em 11 de março e desencadaram uma crise nuclear.

No mês de junho, Kan se comprometeu a renunciar caso o parlamento japonês aprovasse três projetos de lei, o que ocorreu nesta sexta-feira.

O Partido Democrático do Japão, que governa o país, escolherá um novo premiê na próxima segunda-feira.

Desafios

Kan anunciou sua decisão de deixar o cargo em uma reunião do partido, que foi transmitida para todo o país. Ele deverá participar de uma coletiva de imprensa ainda nesta sexta-feira.

O ex-premiê disse que, examinando seus quase 15 meses no governo, fez tudo o que pode face às dificuldades que enfrentou, incluindo o desastre nuclear na usina de Fukushima Daiichi e disputas políticas que aconteceram até mesmo dentro seu partido.

"Nestas circunstâncias difíceis, acredito ter feito tudo o que eu tinha que fazer. Agora gostaria de ver vocês escolherem alguém respeitável como primeiro-ministro", disse.

A renúncia do político, de 64 anos, era esperada e acontece em meio a uma queda no apoio público ao governo.

Em 2 de junho, ele conseguiu evitar um voto de desconfiança do Parlamento prometendo renunciar uma vez que importantes leis com relação ao orçamento e à energia renovável fossem aprovadas.

O correspondente da BBC em Tóquio, Roland Buerk, diz que o novo primeiro-ministro terá que supervisionar o maior esforço de reconstrução no Japão desde a Segunda Guerra Mundial e resolver a crise nuclear de Fukushima, onde vazamentos nos reatores ainda deixam escapar material radioativo.

Buerk diz que o novo governante também terá que convencer os mercados de que o Japão conseguirá superar um parlamento dividido e lidar com a maior dívida interna do mundo industrializado.

Seiji Maehara, um ex-ministro do Exterior que defende a busca pelo crescimento antes de aumentar os impostos para restaurar a saúde fiscal do país, é o favorito da população.

Outros possíveis sucessores de Naoto Kan incluem o ministro das Finanças Yoshihiko Noda, o ministro do Comércio, Banri Kaieda, e o ministro da Agricultura, Michihiko Kano.

Recuperação lenta

O terremoto seguido de tsunami que atingiu o país deixou mais de 15.700 mortos e 4.500 pessoas permancem desaparecidas. Os sobreviventes do nordeste do país, região mais atingida pela catástrofe, reclamam da recuperação lenta.

Na usina de Fukushima, três dos seis reatores nucleares derreteram depois que o tsunami e o terremoto de magnitude 9 danificaram os sistemas de resfriamento. É o maior acidente nuclear em uma geração.

A oposição e muitos no próprio partido de Kan disseram que ele não demonstrou liderança durante a crise e demorou para reconhecer a gravidade do desastre.

A crise também revelou sérias falhas nos sistemas regulatórios e padrões de segurança da indústria nuclear do país.

Funcionários continuam trabalhando para a desativação da usina em janeiro.

No entanto, mais de seis meses após o desastre, muitas das 80 mil pessoas que foram evacuadas da região próxima à usina ainda vivem em abrigos ou habitações temporárias, sem indicação de quando poderão retornar a suas casas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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