Críticas americanas irritam alemães

A nova ofensiva verbal contra a Alemanha desencadeada pelo secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld - que, falando sobre o tema do Iraque, colocou o país europeu no mesmo nível de Líbia e Cuba - provocou uma avalanche de reações negativas, embora não tenha havido resposta oficial por parte do governo de Berlim. A comparação de Rumsfeld foi comentada hoje com certa ironia por alguns jornais alemães. Ao enumerar ontem, perante o Congresso americano, os países que "não vão fazer nada" sobre o Iraque, Rumsfeld afirmou - nesta ordem - acreditar que "Líbia, Cuba e Alemanha sejam os que indicaram que não ajudarão de forma alguma". Nesta sexta-feira, o Die Tageszeitung, jornal da esquerda e dos intelectuais berlinenses, publicou na capa uma foto em branco e preto em que aparece o líder líbio, Muammar Kadafi, o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, e o presidente cubano, Fidel Castro, sob o título "o eixo dos ignorantes". Por sua vez, o Frankfurter Rundschau, jornal de centro-esquerda, rendeu de modo satírico uma homenagem às palavras de Rumsfeld em um comentário intitulado "Obrigado, Donald", onde destaca que as analogias entre Alemanha e Cuba são muito evidentes. Em declarações de hoje ao Handelsblatt, o conselheiro do Pentágono, Richard Perle, que dias atrás havia definido a Alemanha como "irrelevante", acrescentou que "os alemães não desempenham mais nenhum papel". Uma recomposição das relações germano-americanas é, segundo ele, "certamente possível com um novo governo (alemão)". Segundo Perle, a posição do atual governo não corresponde ao da população, pois "os resultados (das últimas eleições) nas regiões de Essen e Baixa Saxônia falam por si mesmas", em referência à derrota do partido social-democrata (SPD).Ao mesmo tempo, em declarações ao Weser Kurier, o presidente do Bundestag (o Parlamento alemão), Wolfgang Thierse, afirmou que os EUA têm "uma relação problemática" com o Conselho de Segurança da ONU: "Querem seguir suas resoluções só quando elas estão bem (de acordo com os interesses de Washington)"; caso contrário, "atacarão mesmo sem resolução".O ministro de Relações Exteriores, Joschka Fischer, por seu lado, tentou minimizar as palavras de Rumsfeld. Disse que havia passado horas em Nova York com o secretário de Estado, Colin Powell. O coordenador do governo de Berlim para as relações germano-americanas, Karsten Voigt (do SPD), sugeriu a ambas as partes um "desarmamento retórico", enquanto o porta-voz da Defesa, Christian Schmidt, observou que não há motivo para surpresa frente às reações, se Berlim definir como ?caubói? o presidente George W. Bush. Donald Rumsfeld é esperado este fim de semana em Munique para uma conferência internacional sobre segurança e está previsto, inclusive, um encontro entre o secretário de Defesa americano e seu colega alemão, Peter Struck.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.