Críticas de Sarkozy a chanceler causam mal estar em Israel

Em encontro com Netanyahu, presidente francês teria pedido para ele 'se livrar' de Avigdor Lieberman.

Guila Flint, BBC

30 de junho de 2009 | 11h15

Um pedido feito pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, ao primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, para que este se livrasse de seu ministro das Relações Exteriores, causou grande irritação e constrangimento em Israel.

O pedido teria sido feito por Sarkozy durante um encontro com Netanyahu em Paris na semana passada, mas só foi divulgado pela mídia israelense nesta semana, que diz que o presidente francês teria aconselhado o premiê israelense a "se livrar desse homem (o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman) e colocar (Tzipi) Livni em seu lugar".

Lieberman é conhecido por suas posições de extrema-direita, e Livni, sua antecessora no cargo, é líder do Kadima, o principal partido de oposição em, Israel.

Os comentários, feitos na presença de pelo menos cinco israelenses que acompanhavam a visita de Netanyahu ao palácio do Eliseu, vazaram para o canal 2 da TV israelense e não foram negados pelas autoridades israelenses nem pelas autoridades francesas.

Segundo as informações publicadas na imprensa israelense, Sarkozy afirmou a Netanyahu que já recebeu vários ministros do Exterior israelenses, "mas com esse não dá", disse, se referindo ao ministro Lieberman.

"Se você tirar esse homem e colocar Livni no lugar, poderá fazer feitos históricos", afirmou Sarkozy.

Segundo o maior site de noticias de Israel, o Ynet, os comentários de Sarkozy e principalmente o fato de o gabinete de Netanyahu não ter informado Lieberman sobre as posições do presidente francês, despertaram uma "profunda indignação no Ministério das Relações Exteriores".

O Ynet cita uma "fonte importante" no Ministério que teria afirmado que os comentários de Sarkozy foram "grosseiros e infelizes".

"Sarkozy é conhecido por sua linguagem sem limites", teria dito a fonte.

De acordo com o porta-voz de Lieberman, Tzahi Moshe, "se essas foram as palavras do presidente da França, então se trata de uma intervenção de um estado democrático nos assuntos de outro estado democrático, é uma coisa grave e intolerável".

'Não dá'

De acordo com o canal 2, Netanyhu teria respondido a Sarkozy que "em conversas particulares ele (Lieberman) soa diferente" e Sarkozy teria dito que "em conversas particulares Jean-Marie Le Pen também é muito simpático", comparando o ministro israelense ao líder da extrema-direita francesa.

De acordo com a imprensa local, Netanyahu teria instruído todos os presentes na reunião a não divulgar as informações.

Entre os presentes estava o embaixador de Israel na França, Daniel Sheck, que também não informou o Ministério sobre os comentários de Sarkozy.

O incidente gera um constrangimento triplo – entre Israel e a França, entre o primeiro ministro Netanyahu e o ministro do Exterior Lieberman, e entre o embaixador israelense na França e o ministério das Relações Exteriores em Jerusalem.

De acordo com o ex-diretor geral do ministério das Relações Exteriores, Aharon Abramovitz, "Sarkozy, que é um homem experiente, com certeza sabia que essa informação iria vazar".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.