Crítico de Karzai diz temer imposição de ditadura no Afeganistão

Um dos mais abertos críticos dos planos decontenção do poder dos senhores da guerra afegãos por meio deuma presidência centralizada apelou hoje paraque governos estrangeiros impeçam que o país se transforme emuma "ditadura". Os 502 membros da loya jirga (grande conselho) passaram osúltimos dez dias discutindo uma proposta de constituiçãopós-Taleban para o Afeganistão proposta pelo governo dopresidente Hamid Karzai, apoiado pelos Estados Unidos. Aratificação do documento é esperada para os próximos dias. Autoridades americanas e afegãs manifestaram confiança de quea proposta de 160 artigos seria ratificada sem grandes mudanças,abrindo caminho para a realização de eleições em meados de2004. Entretanto, as intensas negociações de bastidores foramincapazes de esconder a insatisfação de algumas minoriasétnicas. Hafiz Mansour, um delegado da loya jirga ligado à Aliança doNorte, voltou a pedir a criação de um Parlamento forte parafazer frente aos amplos poderes presidenciais previstos pelaproposta. "Não queremos um ditador com todo o poder em suas mãos", disseMansour a jornalistas em frente ao campus universitário da zonanorte de Cabul, onde ocorre a reunião da loya jirga. "Se acomunidade internacional continuar em silêncio, a democraciaafegã morrerá." Muitos delegados comentam que a maioria do conselho, inclusiveos representantes da etnia pashtun - à qual pertende Karzai -,são favoráveis ao sistema presidencialista. A proposta prevêpoderes mínimos para os líderes regionais e não cria o cargo deprimeiro-ministro Outro importante líder da Aliança do Norte, o senhor da guerrausbeque Abdul Rashid Dostum, manifestou-se a favor de um sistemaparlamentarista e prometeu lutar pela concessão de statusoficial a idiomas e dialetos falados por minorias étnicas.

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