REUTERS/Fabrizio Bensch
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Críticos pressionam Merkel a mudar de direção após derrota do partido nas eleições

O partido Alternativa para a Alemanha, que tem uma posição severa em relação à imigração, foi o segundo partido mais votado no Estado da Saxônia-Anhalt

O Estado de S. Paulo

14 de março de 2016 | 09h59

BERLIM - Os críticos da política liberal a favor dos refugiados da chanceler alemã, Angela Merkel, a conclamaram a mudar de direção após os eleitores de três Estados punirem sua coalizão conservadora e se voltarem a um partido anti-imigração que defende o fechamento das fronteiras do país.

A União Democrata-Cristã (CDU, na sigla em alemão) de Merkel perdeu apoio nas três eleições estaduais - no Estado industrial de Baden-Wuerttemberg, na região vinícola da Renânia-Palatinado e na Saxônia-Anhalt -, na primeira votação que deu aos eleitores uma chance de reagir à política migratória da chanceler.

O direitista Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão), que tem uma posição severa em relação à imigração, ficou com cerca de um quarto dos votos na Saxônia-Anhalt, tornando-se o segundo partido mais votado no Estado. Ele também obteve resultados expressivos nas duas outras unidades federativas alemãs. Com presença em 5 dos 16 Parlamentos regionais alemães, o partido prega slogans como “Assegurem as fronteiras” e “Parem o caos dos asilos políticos”.

"O despertar" foi a manchete do jornal Handelsblatt desta segunda-feira, 14, acima de uma caricatura de Merkel trajando um agasalho esportivo enquanto tenta segurar pesos que representam seus conservadores e o Partido Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão), o parceiro minoritário de sua coalizão na esfera federal.

"Simplesmente continuar no mesmo caminho não é uma opção", afirmou o jornal de negócios em seu editorial, referindo-se à crise dos refugiados, às preocupações a respeito de sua integração na Alemanha e à falta de respostas convincentes do CDU e do SPD para outras questões, como a digitalização.

A Alemanha recebeu 1,1 milhão de refugiados do Oriente Médio, da África e de outras regiões em 2015, e prevê a chegada de mais centenas de milhares em 2016, o que despertou temores entre alguns alemães de que seu país esteja sendo tomado por imigrantes com culturas muito diferentes da sua.

Horst Seehofer, líder da União Social-Cristã da Baviera (CSU, na sigla em alemão), partido filiado ao CDU de Merkel, culpou a política migratória da chanceler pelos resultados ruins dos conservadores nos pleitos estaduais. "Deveríamos dizer às pessoas que entendemos e que iremos lidar com as consequências do resultado destas eleições", teria dito ele, segundo imprensa local.

O jornal de grande circulação Bild disse em seu editorial desta segunda-feira que Merkel experimentou "uma derrota esmagadora no domingo de eleições super torturantes", mas que provavelmente manterá sua rota política e que o preço disso será uma coalizão conservadora profundamente dividida. 

Resposta. Merkel disse nesta segunda-feira que estava decepcionada com os resultados das eleições estaduais de domingo, mas acrescentou que não mudará de rumo para encontrar uma "solução europeia" para a crise migratória. "O fato de que, aos olhos do povo, este problema não tem uma solução definitiva e satisfatória, foi o que decidiu fortemente as eleições", disse.

No entanto, a chanceler acrescentou que não tem planos de mudar de rumo em sua busca por uma "solução europeia" para a crise. Sua estratégia envolve chegar a um acordo a União Europeia e com a Turquia para impedir o fluxo de imigrantes através do Mar Egeu para a Grécia. "Estou firmemente convencida que precisamos de uma solução europeia, e que esta solução precisa de tempo", destacou Merkel. /REUTERS e DOW JONES NEWSWIRES

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