Croácia decide extraditar criminosos de guerra

O presidente da Croácia, Stipe Mesic, após lembrar que os croatas também cometeram atrocidades durante sua luta pela independência, afirmou hoje que o governo tomou a única decisão possível quando aceitou extraditar os acusados pelo tribunal de crimes de guerra da Organização das Nações Unidas (ONU). No entanto, a decisão, intensamente disputada na Croácia, gerou uma crise política que poderia desembocar na desintegração do gabinete pró-ocidental depois de apenas 18 meses no poder. Quatro ministros de gabinete - todos do principal partido da coalizão do primeiro-ministro Ivica Racan, os social-liberais - apresentaram suas renúncias em protesto contra as extradições. Racan, que anunciou a medida, prometeu pedir ao Parlamento um voto de confiança "o mais rápido possível". O presidente do Parlamento, Zlatko Tomcic, disse hoje que a votação poderia ocorrer já no próximo domingo ou um pouco depois, em obediência às regulamentações constitucionais. Não estava claro se Racan poderia conseguir apoio suficiente para sustentar-se no poder. Uma eventual moção de censura poderia desencadear eleições antecipadas. "O governo de coalizão se despedaça", publicou em sua primeira página o jornal de maior circulação na Croácia, Jutarnji. Outros periódicos qualificam a situação como "dramática". Mas Mesic insistiu que "um governo legal não deveria considerar a hipótese de não cumprir com sua obrigação" de cooperar com o tribunal de Haia, Holanda. Em 1996, a Croácia promulgou uma lei de cooperação com o organismo. Uma eventual recusa em extraditar os suspeitos poderia levar ao isolamento internacional do país e até mesmo a sanções. "É sabido que, durante a guerra, o lado croata também cometeu crimes", admitiu Mesic em uma declaração divulgada horas depois de o gabinete ter decidido obedecer à solicitação do tribunal internacional.

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