EFE/Daniel Kasap
EFE/Daniel Kasap

Croatas celebram vitória na guerra; Sérvia e Bósnia têm dia de luto

Data marca 20° aniversário da vitória croata na guerra de independência; sérvios e bósnios lembram memória das vítimas e dos refugiados

O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 09h34

ZAGREB - A Croácia celebra nesta quarta-feira, 5, com diversos atos na cidade de Knin, o 20° aniversário de sua vitória na guerra de independência, enquanto na Sérvia e na Bósnia a data é encarada como um dia de luto nacional.

As celebrações começaram nesta manhã com a libertação de duas mil pombas de paz. Depois, foi inaugurada uma nova Igreja Católica, um museu dedicado à época de guerra e um monumento ao então presidente, Franjo Tudjman, e ainda haverá atos culturais durante todo o dia.

Ao mesmo tempo, na Sérvia e na Bósnia são lembradas as memória das vítimas sérvias mortas e das pessoas que se transformaram em refugiados pela ofensiva croata.

Transmitidos ao vivo pela televisão pública "HTV", os atos ocorrem a 80 quilômetros de Split, em Knin, que entre 1991 e 1995 foi a sede da rebelde "República Sérvia de Krajina", estabelecida sobre um terço do território croata.

O Exército croata entrou em 5 de agosto em Knin em uma operação que em 84 horas estabeleceu o controle sobre a maior parte de "Krajina" e obrigou aos enclaves sérvios restantes a aceitar uma reintegração pacífica na Croácia sob controle da ONU.

O primeiro-ministro, Zoran Milanovic, e a presidente, Kolinda Grabar-Kitarovic, lembraram na terça-feira, após um desfile militar, que a ofensiva foi precedida por quatro anos de guerra e chamados massacres de "limpezas étnicas" em Krajina, que os sérvios rebeldes rejeitaram as propostas de paz internacionais.

"A Croácia hoje não celebra a guerra, não festeja o sofrimento ou a perseguição de ninguém. A Croácia fez tudo para evitar a guerra, ofereceu soluções pacíficas. E foi rejeitada", destacou Milanovic. O chefe de governo lamentou "toda vida perdida, toda vítima, toda tragédia humana e parente". "Os refugiados retornam à Croácia. Nossas portas foram abertas e seguirão assim."

Segundo fontes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), retornaram à Croácia mais de 130 mil refugiados sérvios - mais da metade dos que entre 1991 e 1995 abandonaram o país.

Considera-se que entre 150 mil e 200 mil sérvios, quase toda a população civil que ficava em "Krajina" em 1995, fugiram perante a ofensiva croata, e que durante e depois da operação cerca de 600 morreram, em muitos casos em ações de desquite croatas.

"Lamentamos toda vida perdida, tanto croata como a sérvia. Mas destacamos que se tratava de uma guerra que nos foi imposta por Slobodan Milosevic (o ex-presidente sérvio) e seu projeto pela Grande Sérvia", ressaltou a presidente da Croácia, Kolinda. / EFE

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