David Guttenfelder/AP
David Guttenfelder/AP

Cronologia: 20 anos da intervenção dos EUA no Afeganistão

Tropas americanas foram enviadas ao país logo após os atentados terroristas de 11 de setembro; Biden anunciou retirada de soldados remanescentes

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2021 | 20h00

WASHINGTON - A invasão do Afeganistão, liderada pelos Estados Unidos em outubro de 2001, foi o início de uma aventura militar incerta que, agora, se aproxima do fim. 

Nesta quarta-feira, 14, o presidente americano Joe Biden estabeleceu uma meta de retirar todos os 2,5 mil soldados americanos remanescentes no Afeganistão até o dia 11 de setembro, em um processo que terá início no dia 1º de maio. Os outros países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) farão o mesmo, anunciou a aliança em um comunicado. 

O conflito, que teve início após os taleban se recusarem a entregar o fundador da Al-Qaeda, Osama bin Laden, após os atentados terroristas de 11 de setembro, completou quase 20 anos de duração. Confira os principais acontecimentos destas duas décadas:

'Guerra contra o terrorismo'

O então presidente George W. Bush lançou a operação Liberdade Duradoura em 7 de outubro de 2001, após os ataques do 11 de Setembro que mataram quase 3 mil pessoas em território americano.

O então regime islamita taleban no poder em Cabul dava refúgio ao saudita Osama bin Laden e à sua rede Al-Qaeda, responsáveis pelo ataques.

Washington exigia dos taleban a entrega de Bin Laden, o que o movimento islamita negou.

Em poucas semanas, a coalizão internacional liderada por Bush vence e retira do poder os taleban, que haviam ocupado Cabul após vários anos de guerra civil, em 1996.

Além dos ataques aéreos, Washington apoiou a Aliança do Norte, uma série de tribos que lutavam contra os taleban. No dia 1º de novembro, os Estados Unidos tinham mil soldados em território afegão, que passaram a 10 mil no ano seguinte.

Guerra esquecida

A atenção americana muda do Afeganistão para a próxima aventura militar, a invasão do Iraque em 2003 para derrubar o ditador Saddam Hussein, acusado de ter armas de destruição em massa.

Os taleban e outras facções islamistas se reagrupam no sul e no leste do Afeganistão, de onde conseguem viajar para zonas tribais do Paquistão, e começam um movimento de insurgência.

O comando militar americano pede reforços em 2008. O presidente Bush aprova o envio de 48, 5 mil soldados adicionais.

Pico de 100 mil tropas

Em 2009, Barack Obama - eleito presidente com a promessa de acabar com a guerras no Iraque e no Afeganistão - aumenta a mobilização de tropas a 68 mil. Em dezembro, envia mais 30 mil soldados aos países.

O objetivo é sufocar a insurgência taleban e fortalecer as instituições afegãs. 

Em 2010, mais de 150 mil soldados estrangeiros estão em território afegão, incluindo 100 mil americanos.

Morte de Bin Laden

Bin Laden é morto em 2 de maio de 2011, em uma operação das forças especiais americanas no Paquistão.

Fim das operações da Otan

A Otan anuncia em 31 de dezembro de 2014 o fim de sua missão de combate no Afeganistão.

Mas de acordo com pactos assinados meses antes, 12,5 mil soldados estrangeiros - 9,8 mil americanos - permanecem no Afeganistão para treinar as tropas afegãs e efetuar operações antiterroristas pontuais.

A segurança no Afeganistão volta a piorar com a nova expansão da insurgência taleban e o surgimento do grupo extremista Estado Islâmico (EI), no início de 2015.

Obama reduz o ritmo de retirada de tropas em julho de 2016 e anuncia que 8,4 mil soldados permanecerão no Afeganistão até 2017.

Megabomba contra o EI

Em abril de 2017, as tropas dos Estados Unidos lançam a maior bomba convencional já utilizada em combate contra uma rede de túneis e covas do EI no leste do Afeganistão. Autoridades afegãs afirmam que o ataque matou 96 extremistas.

Reforços americanos 

O novo presidente americano, Donald Trump, cancela em agosto de 2017 o calendário de retirada de tropas e volta a enviar milhares de soldados ao Afeganistão.

Em meados de novembro, quase 3 mil soldados chegam para reforçar o contingente de 11 mil militares já presentes.

Os ataques contra as forças afegãs aumentam e as tropas americanas respondem com a intensificação dos ataques aéreos.

Negociações

Washington e o Taleban iniciam discretamente, em meados de 2018, negociações em Doha. A delegação americana é liderada pelo enviado especial Zalmay Khalilzad, cuja missão é acabar com a presença militar no Afeganistão.

O governo americano exige que os taleban impeçam o Afeganistão de virar uma base para grupos extremistas como a Al-Qaeda.

A violência taleban não para e, em setembro, Trump cancela as negociações, irritado com a morte de um soldado americano em um ataque em Cabul.

As negociações são retomadas em 7 de dezembro em Doha. Um novo ataque, perto da aérea de Bagram, nas proximidades de Cabul, volta a provocar a suspensão das conversações.

Acordo histórico

Os taleban e o governo dos Estados Unidos assinam em 29 de fevereiro de 2020 um acordo histórico em Doha para a retirada das tropas americanas, com um calendário de 14 meses e uma série de compromissos mútuos.

Em 12 de setembro começam as primeiras negociações de paz diretas entre os insurgentes e Cabul, mas a violência prossegue e aumentam os atentados contra jornalistas, juízes, médicos e integrantes da sociedade civil.

Retirada das tropas

Em 15 de janeiro de 2021, o Pentágono anuncia que o Exército americano reduziu os efetivos a 2,5 mil soldados.

Em 13 de abril, o novo presidente Joe Biden decide que as tropas americanas permanecerão no Afeganistão além de 1º de maio, data em que deveriam deixar o país segundo o acordo estabelecido por Trump. Mas adverte que a retirada será finalizada, sem exceções, até 11 de setembro. /AFP

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