Rodrigo Abd/AP
Rodrigo Abd/AP

Cronologia: 20 anos de crises políticas no Peru

Tentativa de destituir presidente Martín Vizcarra é mais um capítulo na história tumultuada do país andino

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2020 | 17h23

LIMA - O Congresso do Peru debate nesta sexta-feira, 11, uma moção para destituir o presidente Martín Vizcarra, ação denunciada como um "golpe de Estado" pelo governo.

A seguir, uma cronologia da crise política no país andino nas últimas duas décadas:

Queda de Fujimori

Em 21 de novembro de 2000, o Congresso destituiu o presidente Alberto Fujimori após 10 anos no poder, alegando atos de corrupção e "incapacidade moral permanente", um dia depois de sua renúncia por fax do Japão.

Fujimori foi condenado em abril de 2009 a 25 anos de prisão por corrupção e violações dos direitos humanos durante seu governo.

Crise social

O opositor Alejandro Toledo venceu as eleições presidenciais em junho de 2001 e iniciou um mandato marcado por crises.

O país ficou paralisado por semanas de greves em maio e junho de 2003, e Toledo decretou estado de emergência.

Seu gabinete renunciou em junho de 2003. Em dezembro, Toledo exigiu a renúncia de todos os seus ministros para neutralizar um escândalo sexual politicamente prejudicial envolvendo sua primeira-ministra, Beatriz Merino.

Retorno de Alan García

Em julho de 2006, o ex-presidente Alan García voltou ao poder, apesar das críticas que recebeu por seu primeiro mandato em 1985-1990, marcado pela hiperinflação, violência da guerrilha e corrupção. 

Em outubro de 2008, o gabinete de 13 membros de García renunciou para impedir a aprovação de um voto de censura sobre as concessões à empresa norueguesa Discover Petroleum.

Esquerda no poder

Em junho de 2011, o militar aposentado de esquerda Ollanta Humala venceu por pouco a votação contra Keiko Fujimori, filha do ex-presidente preso. 

Tornou-se, assim, o primeiro governante de esquerda no Peru em 36 anos.

O primeiro ano da presidência de Humala foi marcado por dezenas de conflitos sociais que deixaram vários mortos e o levou a declarar estado de emergência três vezes. 

Em março de 2015, o Congresso removeu sua primeira-ministra Ana Jara, sob alegações de que a agência de inteligência nacional havia espionado legisladores, jornalistas, líderes empresariais e cidadãos comuns durante anos.

Renúncia de Kuczynski

O ex-banqueiro de Wall Street Pedro Pablo Kuczynski derrotou em junho de 2016 Keiko Fujimori, cujo partido populista de direita conquistou uma grande maioria no Congresso.

Em março de 2017, promotores ordenaram uma investigação sobre possíveis vínculos de Kuczynski no grande escândalo de corrupção da construtora brasileira Odebrecht, acusada de pagar milhões de dólares em subornos a funcionários e políticos peruanos entre 2005 e 2014.

Ele sobreviveu a uma votação de impeachment no Congresso em dezembro de 2017, graças ao apoio de uma dezena de legisladores liderados por Kenji Fujimori, irmão de Keiko.

Três dias depois, Kuczynski concedeu indulto a Alberto Fujimori. Milhares de peruanos protestaram. A justiça anulou o perdão de Fujimori em outubro de 2018.

Em março de 2018, um dia antes de uma segunda votação no Congresso para seu impeachment, Kuczynski renunciou. Ele foi substituído por seu primeiro vice-presidente, Martín Vizcarra.

Suicídio e prisões

Em abril de 2019, Alan García cometeu suicídio quando a polícia ia prendê-lo no caso Odebrecht.

Em maio, Humala e sua esposa Nadine enfrentaram formalmente acusações de suposta lavagem de dinheiro no mesmo escândalo. 

Toledo foi preso em julho de 2019 nos Estados Unidos para fins de extradição para o Peru, sob a acusação de que também recebeu propinas milionárias.

Em outubro de 2019, Keiko Fujimori foi enviada em prisão preventiva no âmbito da investigação da Odebrecht. Foi libertada dois meses depois, mas devolvida à prisão em janeiro de 2020. Está em liberdade provisória desde 4 de maio.

Fechamento do congresso

Em 30 de setembro de 2019, Vizcarra dissolveu o Congresso após a obstrução de uma série de reformas anticorrupção e convocou novas eleições legislativas.

Em resposta, o Congresso votou pela suspensão de Vizcarra por um ano por "incapacidade moral". 

Milhares de pessoas saíram às ruas do Peru em apoio a Vizcarra e as Forças Armadas e a Polícia ratificaram sua lealdade ao presidente.

Em 26 de janeiro de 2020, um novo Congresso foi eleito, dominado por formações minoritárias populistas. 

Seu primeiro confronto com Vizcarra foi em agosto, em plena pandemia de coronavírus, quando negou ao novo primeiro-ministro um voto de confiança, forçando-o a reestruturar o gabinete.

Nesta sexta, o Congresso debate uma moção para destituir Vizcarra um dia depois do vazamento de áudios mostrando que o presidente supostamente pediu a assessores para que mentissem em uma investigação parlamentar por supostos contratos irregulares com um cantor. /AFP

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