Cronologia: a crise migratória na Europa em seis anos

Diminuição do número de travessias não significou o fim de mortes – e países continuam discutindo recepção dos refugiados

Redação - O Estado de S.Paulo

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BERLIM - Os países europeus não aproveitaram o período de calmaria que se seguiu após a chegada caótica de mais de um milhão de migrantes em 2015. A queda no número de travessias não significou o fim de mortes - e países continuam discutindo quem receberá os refugiados, questão que a UE tenta resolver com um novo pacto migratório, anunciado nesta quarta-feira, 23.

Tima Kurdi, tia de Alan Kurdi, o menino sírio de três anos que morreu afogado durante tentiva de imigração para a Europa e se tornou um símbolo da crise Foto: Yves Herman/Reuters

A crise de 2015

As chegadas à Europa aumentaram progressivamente desde 2011, quando teve início a guerra na Síria. Mas foi em 2015 que a situação atingiu proporções inimagináveis.

Em abril, uma grande tragédia: cerca de 800 migrantes que deixaram a Líbia morreram em um naufrágio. Foi a pior catástrofe do Mediterrâneo em décadas. No final do verão, as chegadas se multiplicaram. No total, mais de um milhão foram registrados em todo o ano. Mais de 850 mil entraram pela Grécia.

Temendo uma catástrofe humanitária, a chanceler alemã Angela Merkel abriu as portas de seu país, o que gerou forte rejeição por parte de seus vizinhos, que consideraram a decisão um "fator de atração". Mas a Alemanha, à beira da saturação, foi rápida em reimplementar os controles de fronteira, seguida por outros países, como Áustria e Eslováquia.

Em 2015, a crise da imigração atingiu proporções enormes Foto: Campbell Shipping/Handout via Reuters

Para aliviar a situação na Itália e na Grécia, os europeus concordaram com um sistema de cotas a serem distribuídas aos requerentes de asilo, apesar da oposição de vários países. O plano temporário foi amplamente criticado e causou grandes divisões.

No caminho, os migrantes começaram a esbarrar em cercas e arame farpado nas fronteiras, como na Hungria e na Eslovênia.

O acordo Turquia-UE de 2016

Em 18 de março de 2016, um pacto polêmico entre a UE e a Turquia aliviou a pressão. O acordo previa, em troca de ajuda financeira, o envio para a Turquia de todos os migrantes que chegassem à Grécia.

Ao mesmo tempo, as fronteiras da rota dos Balcãs, da Macedônia à Áustria, foram fechadas.

Resultado: as chegadas na Europa caíram drasticamente, para menos de 390 mil em 2016. Mas dezenas de milhares de migrantes acabaram bloqueados na Grécia.

Em 2017, a Itália, na linha de frente

Outra consequência do pacto foi que a Líbia se tornou a principal rota de migração; a Itália, por consequência, foi transformada na primeira porta de entrada para a Europa.

Os acordos entre Roma e as milícias líbias mudaram a situação em meados de 2017. A UE, que apoia a guarda costeira líbia, é acusada de olhar para o outro lado, visto que migrantes são detidos e tratados com violência na região.

Em 2018, a Espanha tornou-se a principal porta de entrada para a Europa.

Petra László, a repórter que chutou imigrantes enquanto cobria a crise, se tornou um dos símbolos da xenofobia na Europa Foto: Marko Djurica/Reuters

A crise política de 2018 e 2019

No final de maio, uma coalizão de extrema direita e um partido anti-establishment chegaram ao poder na Itália. Uma das primeiras decisões foi recusar um navio humanitário que levava 630 migrantes.

O Aquário encerrou sua jornada na Espanha, após uma odisséia de uma semana que exacerbou as tensões dentro da UE, especialmente entre Roma e Paris.

Após uma cimeira europeia muito tensa, no final de Junho, os países europeus consideraram a criação de "plataformas de aterragem" fora da UE e de "centros controlados" na Europa, onde distinguiriam rapidamente os migrantes irregulares para expulsá-los e os requerentes de asilo para recebê-los. Mas concordar sobre como implementar esse plano não foi tão fácil.

Durante um ano, com os portos italianos fechados, a mesma cena se repetiu: os navios de resgate ficaram bloqueados no Mediterrâneo durante semanas, até que vários acordos foram fechados entre alguns países que prometiam receber migrantes resgatados.

Em junho de 2019, a ONG Sea-Watch aportou à força na ilha italiana de Lampedusa, causando comoção.

Acordo temporário

A mudança de governo em Roma no final do verão de 2019 e a reabertura dos portos italianos permitiram a assinatura de um acordo entre Alemanha, França, Itália e Malta, apoiado por alguns países.

Foi estabelecido um mecanismo temporário para facilitar os desembarques, tornando automática a recepção de migrantes resgatados em vários países. No entanto, o mecanismo foi suspenso de fato devido à crise de saúde.

Em 2019, menos de 129 mil migrantes chegaram à Europa.

Refugiado sírio nada carregando um bebê em direção à ilha de Lesbos, na Grécia Foto: Alkis Konstantinidis/Reuters

A "chantagem" de Erdogan em 2020

No final de fevereiro de 2020, a Turquia anunciou a abertura da fronteira com a Grécia, provocando o afluxo de milhares de migrantes. Os europeus classificaram a estratégia como uma "chantagem".

O fechamento das fronteiras devido ao coronavírus, porém, limitou as tentativas de ultrapassagem. A pandemia também gerou o fechamento de portos italianos e malteses no início de abril, e menos atividade de navios humanitários.

Paralelamente, a crise acelerou as viagens pelo Mediterrâneo central. As ONGs temem uma "tragédia a portas fechadas", enquanto a Itália exige o apoio da UE.

Pacto sobre migração e asilo

A Comissão Europeia revela nesta quarta-feira, 23, um novo "pacto sobre migração e asilo", há muito esperado e várias vezes atrasado.A complicada reforma visa estabelecer um "mecanismo de solidariedade obrigatório" entre os países europeus em caso de pressão migratória e prevê o regresso de migrantes irregulares aos seus países de origem quando os seus pedidos de asilo não são aceitos. /AFP

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