Cronologia da crise política que abala a Tailândia

O Parlamento da Tailândia elegeu nesta quarta-feira, 17, Somchai Wongsawat novo primeiro-ministro, com o apoio dos partidos da coalizão governamental, e apesar da rejeição da oposição por sua relação com Thaksin Shinawatra, o ex-primeiro-ministro deposto. Veja também:Somchai Wongsawat é eleito primeiro-ministro da Tailândia Wongsawat, até pouco tempo chefe do governo interino, pôs fim no domingo passado ao estado de exceção declarado em Bangcoc por seu antecessor, Samak Sundaravej, antes de ter sido cassado pelo Tribunal Constitucional. Os manifestantes que ocupam a sede do governo desde 26 de agosto prometeram continuar seu protesto enquanto houver na liderança do país qualquer aliado de Shinawatra, deposto há dois anos mediante um golpe de estado. Cronologia da crise política que abala a Tailândia. -28 de janeiro de 2008: O ultradireitista Sundaravej é eleito primeiro-ministro com mais da metade das 480 cadeiras do Parlamento. -29 de janeiro de 2008: O rei Bhumibol Adulyadej sanciona a nomeação de Sundaravej. -6 de fevereiro de 2008: O rei aprova a formação do governo proposto por Sundaravej, e que incluía políticos da "velha-guarda" e aliados de seu antecessor, Thaksin Shinawatra. -7 de fevereiro de 2008: A junta militar que perpetrou o golpe de Estado em setembro de 2006 anuncia sua dissolução e admite que o governo que instalou no poder não conseguiu os objetivos políticos que ela perseguia. -28 de fevereiro de 2008: Shinawatra retorna a seu país para enfrentar as acusações de corrupção, aproveitando o governo de seus aliados políticos. O Executivo de Sundaravej lhe devolveu uma semana antes seu passaporte diplomático. -18 de março de 2008: O ministro do Interior, Chalerm Yubanrung, admite que não sabe como solucionar o conflito separatista islâmico que afeta o sul do país e que deixou mais de 3.000 mortos desde 2004. -24 de março de 2008: O primeiro-ministro anuncia que pretende substituir a Constituição aprovada em 2007 pelo regime instalado pelos militares pela Carta Magna de 1997, o que gera uma onda de críticas por parte de seus detratores. -28 de março de 2008: Sundaravej denuncia que os detratores do governo conspiram para perpetrar um golpe de Estado similar ao realizado pelo militares há 18 meses. -17 de abril de 2008: O governo suspende a lei marcial que permanece em vigor em várias províncias do norte e do nordeste do país, redutos do deposto ex-primeiro-ministro Shinawatra. -21 de maio de 2008: O primeiro-ministro é investigado pela Comissão Eleitoral pela suposta violação da Constituição após ter apresentado um programa na televisão local. -29 de maio de 2008: O chefe das Forças Armadas, o general Boonsrang Niampradit, não descarta outro golpe de Estado, enquanto cresce a tensão política no país com a iniciativa do governo de substituir a Constituição. -18 de junho de 2008: O Partido Democrata, o principal da oposição, apresenta no Congresso moções de censura contra o primeiro-ministro e sete membros do governo, acusados de governar com interesses partidários. -20 de junho de 2008: Cerca de 10.000 pessoas pedem a renúncia de Sundaravej em frente à sede do governo, depois de a Polícia se retirar para evitar enfrentamentos. -27 de junho de 2008: O primeiro-ministro tailandês supera a moção de censura apresentada pela oposição, em meio a manifestações que há quase um mês pedem sua renúncia. -7 de julho de 2008: Milhares de pessoas se manifestam em Bangcoc para exigir que a Polícia que deixe de proteger Shinawatra, acusado de corrupção e abuso de poder. -9 de julho de 2008: O ministro da Saúde, Chaiya Sasomsab, renuncia depois de a Corte Constitucional determinar que ele violou a Constituição ao não ter declarado parte das propriedades de sua esposa ao se incorporar ao governo. -10 de julho de 2008: O ministro de Assuntos Exteriores, Noppadon Pattama, renúncia por ter assinado um polêmico acordo sobre a soberania do templo Preah Vihear com o Camboja, que depois foi cancelado pelo Tribunal Constitucional. -30 de julho de 2008: O governo de Sundaravej entra em crise depois que um dos maiores partidos da coalizão, o Puea Pandin, anunciar sua saída em resposta às divergências com seus parceiros. -3 de agosto de 2008: Sundaravej anuncia uma ampla remodelação de seu gabinete com até 11 mudanças de pastas, após a renúncia de três ministros, para tentar resistir a sua crescente impopularidade e aplacar os que exigem sua renúncia. -11 de agosto de 2008: Shinawatra se exila no Reino Unido, em resposta às ameaças contra sua segurança e o que qualifica de tratamento "injusto" que recebe dos tribunais de seu país que lhe julgam por suposta corrupção. A Suprema Corte da Tailândia dita uma ordem de busca e captura contra o deposto primeiro-ministro. -22 de agosto de 2008: Sundaravej assinala que seu governo não solicitará a extradição nem revogará o passaporte diplomático de Shinawatra. -26 de agosto de 2008: Cerca de 50 ativistas da aliança antigovernamental invadem os estúdios do canal estatal tailandês "NBT" para exigir a renúncia do governo. Nesse mesmo dia à tarde, centenas de manifestantes tomam a sede do governo. -27 de agosto de 2008: Milhares de manifestantes continuam na sede do governo da Tailândia, depois que durante a madrugada a Polícia tentasse dissolvê-los em uma operação que deixou seis feridos. A Polícia recebe ordens para deter os líderes dos protestos antigovernamentais. -28 de agosto de 2008: Sundaravej descarta a retirada dos manifestantes à força da sede do governo para deixar que a Justiça decida pela ocupação. -29 de agosto de 2008: A Polícia enfrenta grupos de manifestantes antes de abrir passagem até o Palácio do Governo da Tailândia, enquanto os protestos se estendem pelo resto do país e forçam o fechamento de aeroportos de várias cidades. -30 de agosto de 2008: O primeiro-ministro assegura que não renunciará, apesar da pressão dos protestos. -31 de agosto de 2008: O Parlamento realiza uma sessão extraordinária a pedido do primeiro-ministro para tentar buscar uma solução pactuada à crise política provocada pelos protestos. -2 de setembro de 2008: Sundaravej declara o estado de exceção depois de pelo menos uma pessoa morrer e de outras 40 ficarem feridas em enfrentamentos entre políticos contrários. -3 de setembro de 2008: Manifestantes na sede do governo condicionam qualquer negociação à renúncia de Sundaravej. - O ministro de Assuntos Exteriores tailandês, Tej Bunnag, apresenta sua renúncia. -4 de setembro de 2008: O governo decide realizar um plebiscito para solucionar a crise. -5 de setembro de 2008: Sundaravej presta depoimento em um caso de suposta inconstitucionalidade, por ter trabalhado para uma empresa privada por apresentar de um programa de TV sendo chefe do Executivo. -9 de setembro de 2008: A Justiça tailandesa decide contra Sundaravej, que se vê obrigado a renunciar junto com seu Gabinete. - O vice-primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, assume as funções do chefe do governo interino. -11 de setembro de 2008: O partido que lidera a coalizão que governa a Tailândia decide apresentar a candidatura de Sundaravej a primeiro-ministro. -12 de setembro de 2008: Partidos menores da coalizão governamental boicotam no Parlamento a reeleição de Sundaravej, que em resposta renuncia à chefia de seu partido. -13 de setembro de 2008: Líderes dos partidos políticos mantêm negociações para designar um novo candidato a primeiro-ministro. -14 de setembro de 2008: O governo interino suspende o estado de exceção em Bangcoc. -15 de setembro de 2008: A coalizão do governo, liderada pelo Partido do Poder Popular (PPP), elege Somchai Wongsawat seu candidato para ocupar a chefia do governo. -16 de setembro de 2008: A Corte Suprema da Tailândia dita uma segunda ordem de busca e captura contra Thaksin Shinawatra. -17 de setembro de 2008: O Parlamento escolhe Somchai Wongsawat novo primeiro-ministro, com o apoio dos partidos da coalizão governamental.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.