Jewel Samad / AFP
Jewel Samad / AFP

Cronologia da investigação russa nos EUA

Investigação de Robert Mueller não revelou conluio envolvendo Trump e tampouco isentou o presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 17h55

WASHINGTON - A investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência da Rússia na campanha presidencial americana de 2016 não revelou um conluio entre Moscou e a equipe de Donald Trump. Tampouco isentou o presidente republicano de ser suspeito de obstrução de Justiça, crime pelo qual pode ser processado durante seu mandato.

Entenda melhor o caso:

22 de julho de 2016: o site WikiLeaks começa a publicar milhares de e-mails roubados da equipe de campanha da candidata democrata Hillary Clinton. O FBI (Polícia Federal americana) suspeita da ação de hackers russos e abre uma investigação secreta sobre a possível ingerência de Moscou nas eleições.

6 de janeiro de 2017: em um relatório, os serviços de Inteligência americanos afirmam que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou uma campanha de invasão cibernética e de manipulação das redes sociais para favorecer a eleição de Trump e desacreditar Hillary.

Trump começa a falar de "fake news" e de "caça às bruxas".

13 de fevereiro de 2017: o então conselheiro de Segurança Nacional de Trump, Michael Flynn, renuncia. Ele admite ter mentido para o FBI sobre seus contatos com funcionários russos e, atualmente, aguarda sua condenação.

9 de maio de 2017: Trump destitui o então diretor do FBI, James Comey, acusando-o de parcialidade.

Oito dias depois, o ex-diretor do FBI Robert Mueller é nomeado procurador especial e fica encarregado da investigação do "Russiagate", com ampla margem de manobra.

30 de outubro de 2017: Paul Manafort, ex-diretor de campanha de Trump, assim como seu ex-sócio Rick Gates são indiciados por fraudes ligadas às suas atividades de lobby na Ucrânia junto a autoridades pró-Moscou até 2014.

Manafort é detido em junho de 2018 e, em fevereiro de 2019, é condenado a 7 anos e 6 meses de prisão sem que tenha contribuído com alguma informação significativa durante os interrogatórios. Trump elogia seu "valor" e não exclui a possibilidade de indultá-lo.

16 de fevereiro de 2018: Mueller pressiona o Kremlin, indiciando 13 russos. Um deles, Evgueni Prighozin, é próximo de Putin. O grupo é acusado de ter estimulado a campanha anti-Hillary e pró-Trump da Agência de Pesquisa de Internet (Internet Research Agency), com base em São Petersburgo.

9 de abril de 2018: o FBI revista os escritórios e a residência do advogado pessoal de Donald Trump, Michael Cohen, conhecido como o "pitbull" do presidente, e que não hesita a trocar de lado e cooperar com a investigação.

Em dezembro, Cohen é condenado a 3 anos de prisão por fraude, violação das leis sobre campanha eleitoral (em 2016 ele comprou o silêncio de duas mulheres sobre seu suposto affair com Donald Trump) e perjúrio (por mentir no Congresso sobre a retomada, até junho de 2016, de conversas a respeito da construção de uma Trump Tower em Moscou).

Começa a cumprir sua sentença em 6 de maio.

13 de julho de 2018: Robert Mueller indicia 12 agentes de Inteligência russos por terem invadido os computadores do Partido Democrata americano.

Três dias mais tarde, em uma cúpula com Putin em Helsinque, Trump se nega categoricamente a condenar Moscou por seu papel na campanha, provocando indignação em Washington.

25 de janeiro de 2019: Roger Stone, ex-assessor informal e velho amigo de Trump, é detido e indiciado pelo procurador especial, que o acusa de ter mentido para os investigadores sobre o intercâmbio com o WikiLeaks antes da publicação dos e-mails de lideranças democratas. Posto em liberdade sob fiança, Stone se nega a se declarar culpado.

22 de março de 2019: Robert Mueller entrega seu relatório final ao procurador-geral dos EUA, Bill Barr

Dois dias depois, Barr informa ao Congresso que a investigação não encontrou provas de conluio entre a Rússia e a equipe de campanha de Donald Trump.

O presidente considera que está totalmente isento de responsabilidade.

18 de abril de 2019: as mais de 400 páginas do relatório final de Mueller se tornam públicas, com trechos censurados quando se trata de informação sensível, ou comprometedora. O relatório detalha, porém, uma série de atitudes de pressão preocupantes exercidas pelo presidente republicano durante a investigação.

29 de maio de 2019: em sua primeira declaração pública sobre a investigação, o procurador especial Mueller diz que a acusação formal de um presidente no cargo por obstrução de Justiça "não é uma opção" legal, ainda que não possa isentar Trump completamente dessas suspeitas. /AFP 

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