Sebastian Castaneda/REUTERS
Sebastian Castaneda/REUTERS

Cronologia: os quatro anos conturbados da política peruana

Balançado por investigações da Lava Jato e acusações de corrupção, país teve quatro presidentes desde 2017

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2021 | 18h27

O acirrado segundo turno entre a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Pedro Castillo é  o capítulo mais recente da conturbada política peruana, que nos últimos anos ganhou contornos de instabilidade. Desde 1985, todos os presidentes do país, com exceção de um, que foi deposto, foram presos ou submetidos a investigações por atividades criminosas. A situação vem se agravando pelo menos desde 2017, quando iniciou-se o processo que levaria à queda do então presidente Pedro Pablo Kuczynski

Confira uma linha do tempo dos principais acontecimentos dos últimos anos:

Dezembro de 2016

A Lava-Jato chega ao país

Um documento divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA indica que a construtora Odebrecht subornou servidores públicos de pelo menos 12 países, entre eles o Peru. De acordo com a investigação, a empresa teria pago, entre os anos de 2005 a 2014, ao menos US$ 29 milhões a funcionários do governo peruano. 

As investigações no país acabaram implicando todos os presidentes deste período (Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski), assim como a líder da oposição, Keiko Fujimori.

Março a dezembro de 2017

Acusações contra PPK

À época presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, o PPK, foi acusado de ter recebido US$ 782 mil da Odebrecht por meio de uma empresa de consultoria. PPK passou a ser investigado em março e enfrentou um processo de impeachment em dezembro, ao qual sobreviveu graças ao apoio de uma dezena de legisladores liderados por Kenji Fujimori, irmão de Keiko.

Três dias depois, Kuczynski concedeu indulto ao ex-presidente Alberto Fujimori, pai de Kenji e Keiko. Milhares de peruanos protestaram contra a decisão.

Março de 2018

Divulgação de vídeos e renúncia

No começo de 2018, o partido de oposição Força Popular, liderado por Keiko Fujimori, divulgou uma  série de vídeos no qual o irmão dela, Kenji, e alguns congressistas ligados a ele oferecem obras públicas ao também parlamentar Moisés Mamani em troca do voto contra o impeachment de Kuczynski. Segundo PPK, as imagens dos vídeos foram editadas e causaram “uma grave distorção do processo político”

Em março de 2018, um dia antes de enfrentar no Congresso seu segundo processo de impeachment, Kuczynski renunciou ao cargo de presidente. Ele foi substituído por seu primeiro vice, Martín Vizcarra.

Abril de 2019

Suicídio de Alan Garcia

O único ex-presidente do Peru que não havia passado pela cadeia por corrupção preferiu se matar com um tiro na cabeça a ser preso. Ao receber policiais com um mandado de prisão temporária em sua casa em Lima, Alan García, que governou o país duas vezes e era acusado de receber propina da construtora Odebrecht, trancou-se num quarto e disparou. Ele morreu no hospital.

Maio a outubro de 2019

O cerco se fecha

Em maio, o ex-presidente Humala e sua esposa Nadine enfrentaram formalmente acusações de suposta lavagem de dinheiro no mesmo escândalo. Toledo foi preso em julho de 2019 nos Estados Unidos para fins de extradição para o Peru, sob a acusação de ter recebido propinas milionárias.

30 de setembro de 2019

Fechamento do Congresso

Em 30 de setembro de 2019, Vizcarra dissolveu o Congresso após a obstrução de uma série de reformas anticorrupção e convocou novas eleições legislativas.

Em resposta, o Congresso votou pela suspensão de Vizcarra por um ano por "incapacidade moral". 

Milhares de pessoas saíram às ruas do Peru em apoio a Vizcarra e as Forças Armadas e a Polícia ratificaram sua lealdade ao presidente.

Outubro de 2019

Keiko "fora" do jogo

Keiko Fujimori foi presa preventivamente no âmbito da investigação da Odebrecht. Foi libertada dois meses depois, mas devolvida à prisão em janeiro de 2020. 

Janeiro de 2020

Eleições legislativas

No dia 26, um novo Congresso peruano foi eleito, dominado por formações minoritárias populistas. 

Agosto de 2020

Embate com o congresso

O Congresso confrontou Vizcarra em agosto, em plena pandemia de coronavírus, negando ao presidente um voto de confiança e forçando-o a reestruturar seu gabinete.

Setembro de  2020

Moção de destituição

Vizcarra enfrentou uma moção de destituição no Congresso, consequência de um caso estourado em maio, quando a imprensa descobriu em plena pandemia que o Ministério da Cultura havia contratado o cantor Richard Cisneros, conhecido como Richard Swing, como palestrante e apresentador. À época, o Parlamento abriu uma investigação sobre os supostos contratos irregulares pelos quais Cisneros teria recebido US$ 10 mil.

Em setembro, o Congresso divulgou três áudios em que Vizcarra pede às assessoras Miriam Morales e Karem Roca que mintam sobre a quantidade de vezes que Cisneros foi ao palácio do governo.

O Congresso não conseguiu, no entanto, reunir os votos suficientes para tirá-lo do poder.

Novembro de 2020

Vizcarra perde o cargo

Vizcarra enfrentou seu segundo julgamento político em menos de dois meses. Desta vez, o então presidente peruano foi acusado de ter recebido propina por contratos de obras públicas em 2014, quando era governador da região sulista de Moquegua. 

Em 9 de novembro, o Congresso peruano aprovou a destituição do presidente Martín Vizcarra por "incapacidade moral", com 105 votos a favor, 19 contra e 4 abstenções.

Em 10 de novembro, o chefe do Congresso, Manuel Merino, assume a presidência por ser, constitucionalmente, o primeiro na ordem de sucessão. 

Apoiadores de Vizcarra saem às ruas para protestar em diferentes cidades.

Em 15 de novembro, Merino se demite, provocando comemorações nas ruas. O Congresso falha em escolher um sucessor, apesar de se reunir tarde da noite. 

No dia 16 de novembro, o Parlamento chega a um acordo e escolhe o centrista Francisco Sagasti para ocupar o cargo de Vizcarra. /Com agências

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