REUTERS/Aaron P. Bernstein
REUTERS/Aaron P. Bernstein

Cruz faz último esforço contra Trump em Indiana

Caso bilionário vença prévias de terça-feira no Estado, ficará muito perto de obter os 1.237 necessários para tornar-se candidato à presidência

O Estado de S. Paulo

02 Maio 2016 | 21h19

INDIANAPOLIS, EUA - Nos últimos dias, o comitê da campanha de Ted Cruz intensificou os operações para tentar evitar nova vitória de Donald Trump nas primárias republicanas de Indiana, na terça-feira, 3. Dezenas de voluntários telefonavam freneticamente para eleitores e se reabasteciam com refrigerantes, café e sanduíches; funcionários ocupadíssimos nos laptops; e uma mensagem ambiciosa no quadro negro: “Nossa meta hoje = 20.000 telefonemas”.

Mas havia também indícios de contratempos. Eleitores ouvidos manifestavam dúvida - muitos proferiam insultos similares aos que Trump tem dirigido a Cruz. Ted Cruz veio a Indiana para tentar ressuscitar sua debilitada campanha num momento crucial da disputa republicana. Mas, nesta segunda, ampliavam-se as dúvidas sobre o quanto sua missão de conter o magnata têm sido inútil. Pesquisa realizada pela NBC News e pelo Wall Street Journal, divulgada no domingo, mostra Trump liderando em Indiana com 15 pontos porcentuais à frente de Cruz. Outras pesquisas também mostram Trump na liderança, mas por margens menores.

Os partidários de Cruz esperam que Indiana, que tem semelhanças com outros Estados do Meio-Oeste onde ele venceu, possa curar as feridas profundas deixadas pelas derrotas consecutivas em seis Estados nas últimas previas. Mas é muito difícil para Cruz ganhar impulso diante dos ataques implacáveis de Trump e falhas cometidas por sua campanha.

Mesmo assim, ele empreendeu uma ofensiva final agressiva no Estado, incluindo três paradas no domingo. E compareceu também a todos os cinco programas de notícias na manhã de domingo.

“Trata-se de um Estado importantíssimo. Estamos disputando vigorosamente. Espero que nosso desempenho seja bom aqui”, disse Cruz no programa This Week with George Stephanopoulos da rede ABC. “Estou realizando uma campanha em todo Estado. Viajo de ônibus com minha família. Estamos fazendo tudo o que é possível.”

A vitória de Trump em Indiana o deixará muito perto de conseguir os 1.237 delegados que necessita para conseguir a indicação. E deixará Cruz sem uma única vitória em quatro semanas, antes do estágio final da campanha.

Trump realizou dois comícios na segunda-feira. E se concentrou nas perdas de emprego no setor de manufatura de Indiana, acusou Cruz de ser desonesto e tentar arrancar dele a indicação de modo ilegal, tentando inserir delegados leais na Convenção Nacional Republicana mesmo em Estados em que Trump venceu.

“Logo após este programa sigo para Indiana. Vamos contar com Bobby Knight e outras pessoas incríveis”, disse Trump durante o Fox News Sunday, mencionando o popular ex-treinador da equipe de basquete da universidade de Indiana que tem feito campanha a seu favor. A estratégia de Cruz em Indiana é urgente e também inusitada. Ele tem incentivado os republicanos a rejeitarem o estilo atrevido de Trump em favor de um enfoque mais positivo e mais sério - argumento discordante da parte de uma pessoa que construiu sua carreira política combatendo os líderes republicanos e criando turbulência dentro do partido.

“Os eleitores de Indiana decidirão: desejam apoiar uma campanha baseada nos berros e no grito, em imprecações e insultos? Ou uma campanha conservadora positiva, otimista, com os olhos no futuro?”

No comitê de campanha de Cruz, em Indianapolis, na última terça-feira a animosidade com relação a Trump era evidente. “Hillary derrotará Trump de lavada, por dois dígitos”, dizia um voluntário defendendo o voto para Cruz ao telefone.

Muitos dos partidários de Trump realmente são rudes. “E isso não surpreende porque Trump é assim”, dizem analistas. Cruz indicou a ex-diretora executiva da Hewlett-Packard, Carly Fiorina, para sua vice na semana passada. Decisão que em geral não é tomada tão cedo numa campanha. Fiorina entrou em choque com Trump quando lançou sua própria campanha como pré-candidata e tem auxiliado Cruz a mostar o magnata como um brutamontes. / THE WASHINGTON POST

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