Cruz Vermelha acusa CIA de tortura em interrogatórios

Relatório, publicado no 'Washington Post', diz que detentos eram 'levados à beira da morte' em prisões secretas

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

16 de março de 2009 | 17h06

Um relatório secreto do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) aponta práticas de tortura nos interrogatórios promovidos pela CIA (Central Intelligence Agency) com suspeitos de terem participado do grupo Al-Qaeda. O documento, publicado na edição desta segunda-feira, 16, do The Washington Post, se refere a fatos ocorridos em 2007 e são, até o momento, as indicações mais graves e detalhadas sobre o que teria ocorrido nas prisões secretas mantidas pelos Estados Unidos.

 

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No documento, o CICV descreve a brutalidade física e psicológica que agentes americanos teriam cometido em prisões mantidas pelo serviço de inteligência. Segundo o relatório, o tratamento era "cruel, desumano e degradante" e os prisioneiros eram levados "à beira da morte e de volta."

O documento havia sido enviado pelo CICV à cúpula americana, alertando sobre o tratamento dos prisioneiros em locais administrados pela CIA. O relatório foi produzido depois que o Comitê, com sede em Genebra, teve acesso a prisioneiros considerados como peças-chave nas investigações sobre terrorismo, quando eles foram transferidos, em 2006, para a prisão de Guantánamo.

O ex-presidente George W. Bush admitiu que seu governo usou medidas coercitivas em interrogatórios de suspeitos de terrorismo, mas insistiu que os Estados Unidos seguiam o direito humanitário internacional. O governo de Barack Obama prometeu dar uma solução a eventuais violações. Mas, para o relator da ONU contra a Tortura, Manfred Nowak, as práticas podem ainda estar ocorrendo.

 

 

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