Cruz Vermelha alerta que doações podem ter ido para Taleban

A Cruz Vermelha alerta que parte dos alimentos enviados à população civil do Afeganistão, pela comunidade internacional, pode estar sendo desviado para os combatentes do Taleban. Para assessores da Cruz Vermelha, a falta de controle sobre o destino da ajuda humanitária é uma das conseqüências da saída da comunidade internacional do Afeganistão, depois dos ataques terroristas nos Estados Unidos. "Sem a presença internacional é a impossível realizar um monitoramento do que está ocorrendo no país", afirma um funcionário da Cruz Vermelha. A entidade foi solicitada pelo Taleban que retirasse seus 68 funcionários estrangeiros do país e passou atuar no "exílio". A Cruz Vermelha está realizando suas operações de ajuda humanitária de seu escritório em Islamabad, no Paquistão, mas o problema é que o contato com funcionários afegãos que permaneceram em Cabul, capital do Afeganistão, é escasso. Além disso, não há garantia de que esses trabalhadores locais estejam atuando com liberdade. Antes da retirada da Cruz Vermelha, 500 mil afegãos eram alimentados diretamente pela entidade. "Hoje, apenas 250 mil estando recebendo nossa ajuda", afirma o funcionário da Cruz Vermelha. "A entidade não existe para alimentar militares, mas a população civil", diz. Negociações Para evitar uma catástrofe humanitária e o desvio de alimentos, a Cruz Vermelha irá iniciar negociações com os representantes do Taleban, no Paquistão, para voltar a atuar no país. "Essa é nossa prioridade. Nunca deixamos o Afeganistão e queremos voltar o mais rápido possível", afirma o funcionário. Mesmo com todas as dificuldades e a possibilidade de contar apenas com trabalhadores locais, a Cruz Vermelha conseguiu fazer com que um comboio chegasse à Cabul levando remédios, que serão distribuídos em 18 hospitais.

Agencia Estado,

01 Outubro 2001 | 18h10

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.