AFP PHOTO / George OURFALIAN
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Comboios retiram 3 mil civis sírios de Alepo e Assad declara vitória sobre rebeldes

Previsão da ONU e da OMS é tirar mais 100 mil civis da cidade nos próximos dias; governo francês estima que 50 mil deles estejam presos no setor oriental da cidade, onde ocorre a maior parte dos embates

O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2016 | 09h34

BEIRUTE -  Mais de 3 mil civis sírios deixaram ontem a cidade de Alepo, após semanas sitiados pelo confronto entre tropas leais ao regime de Bashar Assad e rebeldes que dominavam o leste da cidade, informou a Cruz Vermelha. A saída deles da cidade foi monitorada pela Rússia, a Turquiae a Organização Mundial de Saúde (OMS) após o cessar-fogo ter sido desrespeitado no dia anterior. 

A previsão da ONU e da OMS é tirar mais 100 mil civis da cidade nos próximos dias. O governo francês estima que 50 mil deles estejam presos no setor oriental da cidade, onde ocorre a maior parte dos embates. 

Assad comemorou início da retirada dos civis e retratou como uma grande vitória, comparável a grandes momentos da humanidade, como o fim da URSS e das duas guerras mundiais. “Quero confirmar que a história está sendo escrita por cada civil sírio”, disse o líder sírio, sorridente, num terno azul. “Essa história começou há seis anos quando a crise e a guerra começaram.”

No começo da manhã, filas de ambulância se formaram no enclave rebelde para recolher os civis e levá-los para a Turquia. No dia anterior, a tentativa tinha fracassado após milícias leais a Assad, insatisfeitas com o acordo, abrirem fogo contra os veículos preparados para recolher os civis. 

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, uma ONG ligada à oposição a Assad que monitora o conflito desde Londres, a inclusão de 250 milicianos estrangeiros que combatiam o regime na primeira leva de civis que deveria sair da cidade também contribuiu para o fim da trégua na quarta-feira. 

Na manhã de ontem, tudo transcorreu de maneira mais tranquila. Mulheres choraram e celebraram enquanto as vans com civis passavam pelas ruas devastadas. Uma delas gritava: “Deus nos salve dessa crise e desses rebeldes que só trouxeram destruição.”

“Milhares precisam ser retirados, mas a primeira e mais urgente das coisas são os feridos, os doentes e as crianças, inclusive órfãs”, disse Jan Egeland, o representante humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Síria.

Segundo o presidente turco, Recep Erdogan 1.150 civis e feridos chegaram à Turquia. “Falei com a chanceler alemão Angela Merkel sobre que podíamos fazer e nos disseram que preparavam ajuda humanitária, espero que chegue. Em minha conversa com Barack Obama, abordamos os fatos na Síria e no Iraque, especialmente a situação em Telafer e Sinjar, e disse como poderíamos ajudar”, detalhou Erdogan.

Uma testemunha na parte da cidade controlada pelo governo disse que colunas de fumaça negra podiam ser vistas emanando da área controlada pelos rebeldes.

Os moradores que esperam ser retirados tem queimado os pertences que não conseguem levar consigo e não querem deixar para ser pilhados por forças governamentais. “Do lado de fora de cada edifício você vê uma pequena fogueira, papéis, roupas femininas”, disse um morador.

Os rebeldes também devem ser conduzidos para fora de Alepo com a ajuda de militares russos, informou o Ministério da Defesa em Moscou. A Síria garantiu a segurança desses e de suas famílias, que serão levados a Idlib, cidade do noroeste sírio que Damasco não controla. A Rússia usará drones (aeronaves não tripuladas) para monitorar rebeldes e parentes sendo transportados em ônibus e ambulâncias ao longo de um corredor humanitário, informou o ministério.

O acordo de retirada incluirá a passagem segura de feridos dos vilarejos xiitas de Foua e Kefraya, próximos de Idlib, que estão sitiados pelos insurgentes, de acordo com uma unidade militar de mídia do Hezbollah, grupo libanês ligado a Assad.

Críticas. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse nesta quinta-feira que o governo do presidente sírio está fazendo um massacre em Alepo. Kerry afirmou em uma entrevista coletiva que os EUA buscam uma interrupção imediata, verificável e duradoura das hostilidades e chamou a comunidade internacional a pressionar Assad. / EFE, NYT e REUTERS

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