Cruz Vermelha critica destruição de casas de refugiados por Israel

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou nesta sexta-feira que deplora a destruição de casas palestinas por Israel num campo de refugiados no qual mais de 600 pessoas ficaram desabrigadas. "De acordo com a Convenção de Genebra, a destruição da propriedade privada é proibida, a não ser que ela seja uma necessidade militar imprescindível", disse Vincent Lusser, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. "É preciso haver proporcionalidade, e talvez hajam outras formas de agir antes de se recorrer a medidas mais drásticas", disse Lusser. "Deploramos o fato de 600 palestinos terem perdido suas casas." Motoniveladoras escoltadas por tanques invadiram nesta sexta-feira o campo de refugiados de Rafah, na Faixa de Gaza, e derrubou diversas casas. Um porta-voz do governo de Israel alegou que as residências "eram utilizadas por terroristas palestinos para atirar contra soldados israelenses". Lusser disse ainda que a medida viola a Convenção de Genebra na conduta de guerra. "Mesmo que os disparos sejam efetuados de dentro de residências civis, isto não garante o direito automático de destruição da casa", recordou. De acordo com a convenção, a Cruz Vermelha é responsável por certificar que os países respeitam as regras. Lusser afirmou que a convenção também proíbe a punição coletiva e ataques contra civis como forma de represália. "Tenho a impressão de que as pessoas passaram a achar normal imaginar que, se houver um ataque, deve haver retaliação, mas tudo é uma questão de proporcionalidade. Alguns princípios devem ser respeitados." A Cruz Vermelha informou que já está ajudando centenas de palestinos que ficaram desabrigados devido à destruição de casas por forças israelenses desde o início do atual conflito, em 28 de setembro de 2000, após uma visita do hoje primeiro-ministro Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas, um local sagrado para judeus e muçulmanos. "As famílias foram destituídas de suas casas e posses. Este apoio tem como objetivo ajudá-los a lidar com isto até que encontrem acomodações alternativas ou mudem-se para a casa de parentes e amigos", informou a agência.

Agencia Estado,

11 Janeiro 2002 | 17h18

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