Cruz Vermelha do Japão diz ter perdido ano com reconstrução

A Cruz Vermelha japonesa afirmou nesta quarta-feira que um ano inteiro foi perdido na reconstrução das áreas devastadas pelo tsunami no país porque o governo central e as autoridades locais não conseguiram chegar a um acordo sobre um "plano-mestre".

TETSUSHI KAJIMOTO, REUTERS

07 de março de 2012 | 13h21

A Cruz Vermelha também disse que o ritmo lento da reconstrução estava aprofundando o sofrimento e pediu esforços intensificados para trazer a região de volta à vida.

Um ano depois de o terremoto de magnitude 9,0 em 11 de março ter provocado um tsunami que matou cerca de 16.000 pessoas e causado a pior crise nuclear do mundo desde Chernobyl, cerca de 326 mil pessoas ainda estão desabrigadas. Quase 3.300 continuam desaparecidas.

"O governo central propôs cenários diferentes, mas eles se depararam com uma forte oposição dos governos locais e também das pessoas afetadas diretamente pelo terremoto e tsunami", disse à Reuters o presidente da Cruz Vermelha japonesa, Tadateru Konoe, durante um evento de imprensa marcando o aniversário do desastre.

"Sem chegar a qualquer acordo sobre um plano-mestre para reabilitação e reconstrução, é muito difícil até mesmo iniciar um processo de reconstrução. Eu acho que a primeira coisa (a fazer) é acelerar esse processo, e então eles podem se mobilizar."

"Eu acho que isso deve ser o início de tudo. Então, um ano foi desperdiçado nesse sentido, porque eles não foram capazes de chegar a qualquer consenso."

As esperanças de que o triplo desastre tiraria o Japão do torpor econômico e político de longa data até o momento se mostraram infundadas.

A dívida pública se acumula, enquanto decisões importantes continuam sendo adiadas e os políticos voltaram a brigar em um parlamento sem saída. A desconfiança do público com as autoridades e políticos aumentou.

A Cruz Vermelha arrecadou 400 bilhões de ienes (4,95 bilhões de dólares) no ano passado em doações do Japão e no exterior, oferecendo 290 bilhões de ienes em pagamentos em dinheiro para os moradores afetados.

A entidade informou que as suas atividades mudaram ao longo do ano, passando de atender as necessidades médicas urgentes dos sobreviventes, muitos deles idosos, para um apoio a longo prazo - incluindo ajuda na construção de instalações médicas temporárias e permanentes.

A incerteza, disse a Cruz Vermelha, estava aprofundando a sensação de isolamento sentida por vários sobreviventes, somando-se a enormes fardos psicológicos.

"O ritmo lento da reconstrução ao longo da costa nordeste devastada do Japão está contribuindo para o estresse dos sobreviventes, já que há pouca clareza sobre por quanto tempo eles terão de permanecer em alojamento temporário apertado", disse a entidade em um comunicado.

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