Cruz Vermelha e Jobim divergem sobre manejo de corpos

O Ministério da Defesa brasileiro contradisse ontem uma das principais orientações dadas pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no manejo de cadáveres das vítimas do terremoto em Porto Príncipe, capital do Haiti, ao dizer que as vítimas devem ser enterradas com urgência. A organização humanitária teme que um procedimento apressado possa impedir definitivamente a identificação dos mortos e ressalta que os cadáveres de pessoas sãs não transmitem doenças.

AE, Agencia Estado

15 de janeiro de 2010 | 09h33

"Há uma grande preocupação com a existência de corpos abandonados nas ruas, o que pode provocar epidemias", diz a nota distribuída pelo Ministério da Defesa. As declarações de Jobim refletiam a preocupação e a pressa em dar solução imediata às carências dos haitianos: "Não podemos esperar. Se há problemas, temos de passar por cima deles", disse.

"Há um mito disseminado de que os cadáveres podem ser a causa de epidemias em desastres naturais. Não é esse o caso", afirmou Ute Hofmeister, legista do CICV em Genebra, na Suíça, em comunicado distribuído pela organização na manhã de ontem. "Os corpos dos que morreram em desastres não espalham doenças, desde que as pessoas tenham morrido de trauma. O enterro em valas coletivas ou a cremação dos cadáveres deve ser evitado a todo custo, pois isso torna impossível a identificação pelas famílias", disse Hofmeister.

Para aproximar as duas abordagens, a delegação do CICV no Brasil enviou ao Ministério da Defesa um manual que detalha os cuidados que devem ser tomados no manejo de corpos e em situações de desastre natural e conflitos armados. A organização diz que, caso não haja estrutura adequada para identificar e refrigerar os corpos, eles devem ser enterrados em locais provisórios sinalizados para facilitar exames de arcada dentária e de DNA, além de reconhecimento por fotos, tão logo seja possível. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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