Cruz Vermelha faz Espanha ajudar Argentina

A crise na Argentina está criando uma situação que, até poucos anos, poderia parecer um total absurdo para um país considerado como um dos grandes exportadores mundiais de produtos agrícolas. A Cruz Vermelha lançou hoje uma campanha na Espanha para arrecadar dinheiro para comprar alimentos para os argentinos.Em meio às notícias sobre a crise humanitária no Afeganistão, os principais jornais espanhóis trouxeram anúncios pedindo que a população local fizesse depósitos em dinheiro para que a ajuda chegasse aos argentinos o mais rápido possível. "Quatorze milhões de pessoas vivem em situação de pobreza", diz o anúncio publicado nos jornais do país. "Há muitos passando fome e nosso objetivo é evitar que essa situação continue", explica o porta-voz da Cruz Vermelha em Madri à Agência Estado. Segundo ele, a prioridade será alimentar os idosos, mas os recursos deverão ser usados para todas as camadas da sociedade na Argentina que necessitem. A esperança da Cruz Vermelha é que a população espanhola contribua de forma significativa, já que muitas famílias têm parentes na Argentina. "É a primeira vez que fazemos uma campanha desse tipo com um país como a Argentina, mas está sendo necessário e queremos contribuir", disse o representante da organização.Segundo ele, a campanha também poderá ajudar aos produtores de alimentos na Argentina, já que todos os recursos arrecadados serão gastos na própria economia argentina. Os bancos espanhóis também estão envolvidos na campanha. Os depósitos da população espanhola podem ser feitos em contas abertas nas agências do Banco Santander, do Banco Bilbao Vizcaya além dos bancos La Caixa e até mesmo no Deutsche Bank. Caminho inverso - A ironia é que a ajuda alimentar entre espanhóis e argentinos já percorreu o sentido contrário no passado. O regime do General Franco, que comandou a Espanha entre os anos 30 e a década de 70 contou por muito tempo com os navios carregados de trigo vindos da Argentina para alimentar a população na Península Ibérica. Naqueles anos, as contribuições ao regime de Franco eram uma gentileza de um amigo seu na Argentina: Perón.Leia o especial

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