Cruz Vermelha faz primeira visita a Saddam

Representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha visitaram neste sábado, pela primeira vez, o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein no local em que ele está detido pelos Estados Unidos. "A visita ocorreu pela manhã, horário de Bagdá", disse em Genebra a porta-voz da Cruz Vermelha, Antonella Notari, sem revelar o local do encontro nem dizer como está Saddam, de 66 anos."O objetivo da visita foi verificar as condições de detenção e tratamento do prisioneiro." Ela acrescentou que Saddam escreveu uma carta para sua família. Segundo Antonella, serão feitas novas visitas.EleiçõesMais cedo, o chefe da administração civil da ocupação americana do Iraque, Paul Bremer, afirmou que pode levar até 15 meses para que seja possível realizar eleições diretas no país - mais do que a maioria xiita parece disposta a aceitar."Há problemas técnicos que levarão tempo para ser resolvidos. Estimamos algo entre um ano a 15 meses", disse Bremer à TV Al-Arabiya, com sede em Dubai. "O Iraque não tem lei eleitoral, não tem uma comissão nacional para estabelecer uma lei que regulamente os partidos políticos, não tem listas de eleitores, não tem um censo confiável há cerca de 20 anos", acrescentou.ONU e aiatoláO secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, apoiou a posição americana de que não será possível fazer eleições diretas antes da planejada devolução da soberania aos iraquianos, prevista para 30 de junho.O principal líder xiita do Iraque, aiatolá Ali al-Sistani, que insistia em eleições antes de 30 de junho, acabou concordando com a ONU quanto à necessidade de mais tempo para preparar a votação, mas ressaltou, na sexta-feira, que o adiamento "não pode durar muito".Outras propostasA idéia inicial da administração de Bremer era organizar assembléias regionais (caucuses) para escolher o organismo provisório ao qual os EUA transferirão o poder em 30 de junho, mas a Casa Branca anunciou sexta-feira que esse plano foi abandonado por falta de apoio entre os iraquianos e pediu à ONU que apresente outras propostas.Neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reiterou que é "interesse estratégico" do governo americano ajudar o Iraque a tornar-se um país soberano capaz de impulsionar mudanças políticas no Oriente Médio."O estabelecimento de um Iraque livre ajudará a impulsionar o avanço da liberdade por toda essa região vital", disse Bush em seu programa semanal de rádio.Outras propostasInsurgentes iraquianos abriram fogo contra um comboio militar dos EUA perto de Haswa, 40 quilômetros ao sul de Bagdá, matando um intérprete iraquiano e ferindo quatro soldados americanos, informou o comando militar dos EUA em Bagdá. Não há mais detalhes disponíveis.Enquanto isso, cerca de 150 soldados japoneses partiram também neste sábad rumo ao Kuwait para unir-se a forças do país engajadas em uma missão humanitária para ajudar a reconstruir o Iraque.

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