Cruz Vermelha prevê início de "pesadelo"

Os responsáveis pela Federação Internacional da Cruz Vermelha e pelo Crescente Vermelho (organização correspondente nos países islâmicos) estão prevendo o início de um "pesadelo" se os refugiados afegãos começarem a chegar em grande número à fronteira com o Paquistão nos próximos dias. O porta-voz da organização em Islamabad, o francês Andrei Neacsu, disse que a situação está complicada na região devido à falta de água. "Aqui na fronteira só há rochas. A região está sendo afetada por uma seca que já dura três anos e, a água aqui só é encontrada a mais de 400 metros de profundidade", explicou. Segundo ele, o transporte também é muito difícil. Neacsu afirmou que são necessários mais recursos humanos e financeiros para contornar as dificuldades. A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho se preparam para fazer frente para a chegada dos primeiros refugiados. Um avião espanhol chegou hoje a Peshawar, perto da fronteira afegã, com ajuda humanitária. A Áustria também estaria enviando auxílio. "No primeiro momento, seremos o mais pragmáticos possível. Assim que houver urgência, buscaremos mais recursos humanos e materiais", explicou Neacsu. Além da falta de água, as organizações humanitárias temem a chegada do rigoroso inverno afegão. "Teremos de providenciar cobertores e um sistema de calefação", prevê o porta-voz. É esperada a chegada de muitas mulheres e crianças. "Chegarão famintos, esgotados e doentes. As crianças são as mais vulneráveis a esse tipo de situação", disse Neacsu. Mas, apesar do quadro sombrio, ele se diz otimista. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que está sendo montada uma coalizão humanitária para ajudar os refugiados dentro e fora do Afeganistão. Segundo ele, a coalizão é "tão vital quanto a coalizão militar". Ele disse que o país está empenhado em prestar auxílio humanitário. O Alto Comissário das Nações Unidas para refugiados afirmou que está preparado para atender a um milhão de refugiados que podem sair do Afeganistão em direção ao território iraniano e paquistanês. Apesar das fronteiras do país estarem fechadas, os assessores da ONU reconhecem que muitos afegãos têm cruzado a fronteira diariamente diante da falta de controle entre os países. Leia o especial

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