Cruz Vermelha quer encontro com prisioneiros recém-transferidos para Guantánamo

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) quer encontrar-se pela primeira vez com 14 importantes suspeitos de terrorismo detidos pelos Estados Unidos e que foram recentemente transferidos de carceragens secretas da Agência Central de Inteligência americana (CIA, por suas iniciais em inglês) para a base naval de Guantánamo, Cuba.Antonella Notari, porta-voz do CICV em Genebra, informou que a entidade gostaria que tal encontro ocorresse na próxima visita de agentes da Cruz Vermelha à base mantida pela Marinha dos EUA em Guantánamo, prevista para a próxima semana.Os representantes da Cruz Vermelha deverão chegar a Guantánamo na próxima segunda-feira e pretendem passar duas semanas entrevistando detentos e analisando as condições da carceragem.A Cruz Vermelha Internacional, depositária das Convenções de Genebra, é a única entidade neutra autorizada pelo Exército dos EUA a manter contato com os prisioneiros detidos em Guantánamo."Não existe motivo para acreditar que haveria algum problema em ver esses prisioneiros no decorrer da visita", disse Notari. "A prioridade da missão (a ser iniciada na próxima semana) é conversar em particular, registrar os prisioneiros recém-transferidos e oferecer a eles formas de se comunicarem com seus familiares por intermédio da Cruz Vermelha", prosseguiu ela.Notari disse ainda não saber quando seria possível o encontro entre os agentes da Cruz Vermelha e os prisioneiros transferidos para Guantánamo. No início de setembro, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou a transferência dos detentos para a carceragem da base naval e admitiu que antes eles eram mantidos em centros de detenção operados clandestinamente pela CIA.Entre os prisioneiros encontra-se Khalid Sheik Mohammed, apontado como um dos mentores dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA. Ele foi detido em março de 2003 no Paquistão. O serviço de mensagens da Cruz Vermelha, sujeito a censura por parte dos EUA, poderá ser seu primeiro contato com o mundo exterior em mais de três anos.O CICV exigia acesso às prisões secretas mantidas pela CIA, pois seus agentes nunca haviam mantido contato com prisioneiros que, sabia-se, estavam sob custódia americana. Segundo Bush, com a transferência dos 14 detentos, não há mais nenhum prisioneiro mantido em carceragens secretas pelos EUA.

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