Cruz Vermelha se encontra com mentor do 11 de Setembro e outros presos em Guantánamo, diz Pentágono

A Cruz Vermelha se encontrou em Guantánamo com 14 "detentos de alto valor", entre eles com Khalid SheikhMohammed, o suposto mentor dos ataques de 11 de Setembro, de acordo com afirmações de um funcionário do Pentágono nesta quinta-feira.Os encontros aparentemente marcam a primeira vez que os detidos se encontram com alguém além de seus captores, desde que foram presos, mantidos sob custódia da CIA em locais secretos, e transferidos há semanas atrás para a base Naval da Baía de Guantánamo, em Cuba. Entre eles, estão os supostos mentores dos ataques ao navio USS Cole e às embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, em 2000. Simon Schorno, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Washington, se recusou a confirmar que os encontros aconteceram. Em reuniões com prisioneiros, funcionários da Cruz Vermelha explicam que estão realizando as visitas como monitores."O prisioneiro não é obrigado a falar conosco", disse Schorno."Fica a cargo do detento levantar questões que são do nosso interesse, por exemplo detenções anteriores e condições atuais. Fica a cargo do detento falar o que ele quiser falar." A Cruz Vermelha também pode levar mensagens que os detentos escrevem, sujeitas à censura militar, para entregá-las aos familiares, afirmou. A Cruz Vermelha, que chegou na Baía de Guantánamo e, 25 de setembro, se encontrou com os mais novos detentos nesta semana, segundo o comandante da marinha americana, Jeffrey Gordon. "Eles tiveram acesso aos 14 detentos de alto valor de Guantánamo nesta semana", disse Gordon no Pentágono. O comandante da Marinha Robert Durand, porta-voz em Guantánamo, disse que a delegação da Cruz Vermelha terminou a sua visita. Em declaração, ele se recusou a especificar quais detentos falaram com os membros da Cruz Vermelha ou quais foram os assuntos. Acredita-se que Mohamed era o número 3 da Al Qaeda antes de ser preso no Paquistão, em 2003. Entre os 14 presos está também Ramzi Binalshibh, acusado de ajudar a planejar os ataques de 11 de Setembro, e Abu Zubaydah, que acredita-se que seja um elo entre a Al Qaeda da Osama bin Laden, e muitas células da Al Qaeda, antes de ser capturado no Afeganistão em 2002. O presidente dos EUA George W. Bush disse em seis de setembro que esses presos haviam sido transferidos da custódia da CIA para Guantánamo para julgamento.

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