Cruz Vermelha vê padrão de abusos no Iraque

A Cruz Vermelha Internacional informa que havia avisado os EUA há mais de um ano sobre abusos contra prisioneiros no Iraque, e que o problema é amplo e parte de um sistema, ?não atos isolados?. ?Nossas descobertas foram discutidas em diferentes momentos entre março e novembro de 2003, tanto em conversas cara a cara quanto em intervenções por escrito?, disse Pierre Kraehenbuehl, diretor de operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Ele se absteve de dar detalhes, mas confirmou que um relatório do CICV para autoridades americanas, descrito no Wall Street Journal, era genuíno. O Journal diz que o relato de 24 páginas descreve prisioneiros mantidos nus em total escuridão em celas vazias da prisão de Abu Ghraib em Bagdá, e prisioneiros do sexo masculino forçados a desfilar em roupa íntima feminina. ?Maus-tratos durante o interrogatório não eram sistemáticos, exceto no caso de pessoas presas sob suspeita de violações de segurança ou vistas como tendo informações de valor?, diz o relatório, segundo o jornal. O texto declara ainda que as informações obtidas ?sugerem que o uso de maus-tratos contra pessoas privadas de liberdade foi além de meros casos excepcionais e pode ser considerado prática tolerada? pela coalizão. Kraehenbuehl disse que a Cruz Vermelha lamenta a publicação e que preferiria ter mantido a política de discussões confidenciais com as autoridades, já que os EUA vêm fazendo progressos no sentido de cumprir as exigências da entidade.

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