Cruz Vermelha vê tortura em Guantánamo, diz o NYT

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) declara, em relatórios confidenciais enviados ao governo dos Estados Unidos, que militares americanos aplicaram meios de coerção físicos e psicológicos "equivalentes a tortura" em prisioneiros detidos na base naval de Guantánamo. A informação foi publicada no New York Times.Segundo a Associated Press, o CICV recusa-se a "confirmar ou negar publicamente" as informações divulgadas pelo NYT, mas diz que as autoridades dos EUA "falharam em tratar" das preocupações levantadas sobre a situação dos detentos. Um porta-voz do Pentágono confirmou que representantes da Cruz Vermelha "tornaram conhecido seu ponto de vista" de que a detenção por tempo indeterminado de suspeitos equivale a tortura.Segundo o porta-voz Lawrence Di Rita, esta é "uma visão" da qual o governo Bush não compartilha. Di Rita disse desconhecer quaisquer queixas da Cruz Vermelha quanto às técnicas de interrogatório ou o tratamento dispensado aos detentos.De acordo com o Times, representantes do CICV que visitaram Guantánamo em junho descobriram que as autoridades americanas haviam criado e aperfeiçoado um sistema para quebrar a força de vontade dos prisioneiros, valendo-se se humilhação, confinamento solitário, extremos de temperatura e posturas desconfortáveis. A Cruz Vermelha também teria descoberto que médicos informavam aos interrogadores sobre as fraquezas dos prisioneiros, "numa violação flagrante da ética médica".Falando à AP, a porta-voz do CICV, Antonella Notari , disse que "já dissemos, inclusive em público, que há problemas significativos em respeito às condições de detenção e tratamento de detentos em Guantánamo e que ainda não foram tratados pelas autoridades americanas". Segundo a porta-voz, "continuamos nossas discussões com as autoridades americanas a respeito".

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