Cuba abre números da economia, em sinal para investidores

Em uma semana, regime divulgou mais dados do que em uma década; companhias pedem mais transparência

O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2014 | 03h40

HAVANA - Cuba deu mais informações esta semana sobre a situação de suas finanças do que em uma década. A divulgação seguiu-se ao anúncio da retomada das relações com os EUA, congeladas por mais de meio século. O governo de Raúl Castro promove desde 2008 uma abertura econômica gradual e busca investimento e crédito estrangeiros.

O governo anunciou um superávit em sua conta corrente de US$ 1 bilhão em 2014, obtido graças ao apoio de remessas e reexportação de petróleo da Venezuela a preços preferenciais. Uma estimativa das reservas em moeda estrangeira, normalmente segredo de Estado, também veio a público. Diplomatas disseram à agência Reuters que a cifra oficial é de US$ 10 bilhões. A estimativa é considerada razoável por analistas.

Carente de novos créditos, mas sem condições de entrar para o mercado de bônus, nos últimos quatro anos Cuba reestruturou bilhões de dólares de sua dívida com a China, com credores comerciais de Japão, México e Rússia. Obteve redução substancial nas somas devidas em troca de novos planos de pagamento. O país planeja unificar em 2015 sua moeda e amenizar a escassez de produtos.

Cuba também tem aumentado os incentivos fiscais para investimentos estrangeiros. No entanto, companhias se queixam da falta de informação para tomar decisões sobre esses investimentos. Diplomatas disseram que as negociações com o Clube de Paris, de nações credoras, poderiam começar no próximo ano depois de 18 meses de contatos informais. / REUTERS

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