Cuba aceita retomar conversa sobre imigração com EUA

Funcionário americano afirma que Havana manifestou disposição em cooperar contra o terrorismo e o tráfico

31 de maio de 2009 | 11h45

Estados Unidos e Cuba concordaram em retomar negociações com a retomada das negociações sobre imigração e serviço de correio entre os dois países, suspensas durante o mandato do ex-presidente George W. Bush, afirmou neste domingo, 31, um funcionário americano.

 

O funcionário, que pediu anonimato, disse que o governo da ilha notificou os EUA no sábado que aceitaria a proposta para retomar as negociações. Cuba também teria demonstrado disposição para cooperar com os EUA no combate ao terrorismo e ao tráfico de drogas, além de participar de programas de preparação contra desastres provocados por furacões. Lugar e data para a retomada das negociações não foram determinados.

 

Nesta semana, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Rodham Clinton, vai a El Salvador e Honduras, onde deverá ser discutida a possível readmissão de Cuba na Organização dos Estados Americanos (OEA).

 

As conversas migratórias, iniciadas durante o governo de Ronald Reagan, tornaram-se regulares após alguns acordos da década de 1990, que tentavam evitar o êxodo de refugiados cubanos nos EUA. Obama deu um passo para melhorar as relações com Cuba ao liberar as viagens e o envio de dinheiro de cubano-americanos à ilha.

 

O presidente americano, porém, sinalizou que, para obter mais concessões, Havana teria de libertar presos políticos e melhorar a situação dos direitos humanos. O líder cubano, Raúl Castro, e seu irmão Fidel manifestam disposição em conversar com os EUA, mas insistem que isso deve ocorrer sem precondições e com respeito à sua soberania.

 

Cuba na OEA

 

A pressão de parte dos países latino-americanos para que Cuba volte a fazer parte da Organização dos Estados Americanos (OEA) tem provocado reação contrária do governo dos EUA, em um jogo diplomático que poderá ser decidido na próxima cúpula do bloco, na cidade de San Pedro Sula, em Honduras, terça e quarta-feira.

 

Até agora, a maior parte dos países da região está aliada ao eixo que defende o fim da suspensão imposta a Cuba em 1962. Já os americanos contam com o apoio garantido apenas do Canadá. Brasil e Chile são considerados os fiéis da balança, segundo analistas, apesar de os dois governos já terem expressado apoio à reintegração. "Os EUA querem um processo mais lento em relação a Cuba", disse Michael Shifter, professor da Universidade Georgetown, de Washington, e um dos diretores do grupo de estudos Diálogo Interamericano.

 

O presidente dos EUA, Barack Obama, desde que assumiu o poder, anulou uma série de restrições que eram impostas ao regime cubano, mas ainda está relutante em aceitar o retorno de Havana à organização. "Não consigo imaginar como Cuba pode integrar a OEA e eu, certamente, não apoiaria um esforço neste sentido", disse a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Segundo ela, "Cuba não estaria disposta a respeitar os termos da OEA".

 

Em uma posição oposta, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, diz que a suspensão dos cubanos é um resquício da Guerra Fria e deveria acabar o quanto antes. Stephen Wilkinson, do Instituto de Estudos Cubanos da Universidade Metropolitana de Londres, disse que Cuba não mudará sua postura enquanto os irmãos Castro seguirem no poder. "Não vejo como os EUA podem alterar sua posição sem perder o prestígio", disse.

 

Jorge Castañeda, ex-ministro das Relações Exteriores do México e professor da Universidade de Nova York, disse ao Estado que figuras como os presidentes Daniel Ortega, da Nicarágua; Evo Morales, da Bolívia; Rafael Correa, do Equador; e Hugo Chávez, da Venezuela, defendem a inclusão de Cuba só para contrariar os EUA.

 

Enquanto segue a disputa entre americanos e alguns países latino-americanos, em Havana, o diário oficial Granma afirmou que Cuba não necessita da OEA. "Há muito comprometimento com a morte, o genocídio e a mentira para que a OEA sobreviva a estes tempos. É um cadáver político. No entanto, não faltam aqueles que, na tentativa de salvar um morto, busquem emendá-lo perdoando Cuba."

 

(Com Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo)

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