U.S. Coast Guard via AP
U.S. Coast Guard via AP

Havana aceitará cubanos devolvidos pelos EUA na nova política de imigração

Em comunicado, Havana também se comprometeu a 'garantir o direito a viajar e emigrar dos cidadãos cubanos e de retornar ao país'

O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2017 | 08h23

HAVANA - O governo de Cuba se comprometeu a receber todos os cubanos deportados por tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos, depois que Washington revogou na quinta-feira, 12, a política "pés secos, pés molhados", que desde 1995 dava tratamento preferencial aos imigrantes cubanos.

Cuba e Estados Unidos conseguiram "um importante passo nas relações bilaterais" com a assinatura na quinta-feira, em Havana, de um novo acordo de imigração que estabelece as bases para uma migração "regular, segura e ordenada", segundo um comunicado do governo cubano.

Após mais de um ano de negociações, os dois países anunciaram este novo acordo de imigração, questão controversa durante décadas na relação bilateral, apenas uma semana antes da posse de Donald Trump como novo presidente dos EUA.

O novo acordo elimina com efeito imediato a política de imigração "pés secos, pés molhados", que permitia aos cubanos que chegassem por terra ficarem legalmente no país, enquanto os que fossem interceptados no mar eram devolvidos para a ilha, e o programa Parole que aceitava profissionais da saúde cubanos - duas longas reivindicações do governo cubano.

Por sua vez, Cuba também se comprometeu a "garantir o direito a viajar e emigrar dos cidadãos cubanos e de retornar ao país, de acordo com os requisitos da lei de imigração", que foi modificada pelo governo de Raúl Castro em 2013, com importantes mudanças como a eliminação da "autorização de saída".

Segundo as autoridades cubanas, as relações migratórias entre os dois países estiveram "marcadas desde o triunfo da Revolução através da implementação de políticas agressivas nesta área pelas sucessivas administrações americanas, que incentivaram a violência, a migração irregular e o tráfico de pessoas, causando várias mortes de inocentes".

"Durante vários anos, tinha sido um interesse permanente do governo de Cuba adotar um novo acordo de imigração com os EUA, para resolver os graves problemas que continuavam afetando as relações migratórias, apesar da existência de acordos bilaterais nesta área", afirmou o governo cubano. / EFE

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