Cuba acusa México de ceder à pressão dos EUA

O governo cubano acusou, nesta sexta-feira, o México de ceder diante das pressões dos EUA para que o presidente de Cuba, Fidel Castro, não participasse da cúpula dos presidentes paralela à Conferência sobre o Financiamento ao Desenvolvimento.O presidente da Assembléia Nacional cubana, Ricardo Alarcón, que substituiu o presidente Fidel Castro à frente da delegação cubana à conferência internacional, disse que "funcionários mexicanos muito autorizados nos comunicaram antes da conferência as pressões feitas pelos EUA para que Cuba não participasse dela".Na véspera, Fidel Castro, se havia retirado subitamente da cúpula das Nações Unidas que se realiza em Monterrey, no México, e regressado a Havana. Mais cedo, e após a retirada do governante, Ricardo Alarcón havia dito à Associated Press que Fidel foi embora "devido a uma situação que, para um país que respeita a si mesmo como Cuba, era inaceitável".De início, Alarcón havia indicado que o incidente envolvia os EUA, mas não havia dado maiores detalhes nem explicado se a saída de Fidel estava relacionada com a chegada a Monterrey do presidente americano, George W. Bush. Porém, a assessora de segurança nacional de Bush, Condoleezza Rice, já havia dito que Bush e Castro não se encontrariam no México.Fidel Castro, que chegou a Monterrey na última quarta-feira à noite, falou perante a conferência nesta quinta-feira pela manhã. Em seu discurso, qualificou o sistema financeiro internacional de "cassino gigantesco" e criticou os países ricos."As ofertas tradicionais de ajuda (dos países desenvolvidos), sempre raquíticas e muitas vezes ridículas, são insuficientes ou não são cumpridas", disse Castro. "O que falta para um verdadeiro desenvolvimento econômico e social sustentável é muitas vezes mais do que aquilo que se afirma".Segundo um funcionário americano que falou sob a condição de não ser identificado, durante o discurso de Fidel a delegação americana se retirou do plenário. A imprensa não teve acesso à reunião, e a imagem da televisão só mostrava o pódio.Os funcionários mexicanos disseram não ter idéia de por quê o presidente cubano teria abandonado o encontro. Mas a imprensa mexicana assinalou nesta sexta-feira que foi o governo local que forçou a saída repentina de Fidel."O governo mexicano operou, segundo todos os indícios, para forçar Fidel Castro a abandonar intempestivamente" a reunião "a fim de evitar uma presença incômoda" para o presidente americano, George W. Bush, disse em seu editorial o diário La Jornada, cuja manchete de hoje é: "Fox pede a Castro que deixe a cúpula".O jornal especializado El Financiero também interpretou da mesma forma o episódio e afirmou que o governo mexicano "alterou a carta enviada" por Castro a Fox, para confirmar sua participação no encontro, no comunicado divulgado pelo México na terça-feira à noite - o qual dizia que o líder cubano permaneceria um tempo "mínimo" em Monterrey.No entanto Alarcón, já à frente da delegação cubana, afirmou, referindo-se à palavra "mínimo", que a carta que era de seu conhecimento "não empregava esse vocábulo".

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