Cuba ajustará economia, mas manterá propriedade estatal

Durante reunião de 4 dias, líderes comunistas debatem temas que serão tratados durante Congresso do PC, em abril

AP e REUTERS, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

HAVANA

Cuba não está empreendendo reformas econômicas, mas atualizando seu modelo socialista, no qual o Estado manterá a propriedade dos meios de produção, afirmou o ministro de Economia Marino Murillo em declarações publicadas ontem pelo jornal Granma.

Os principais líderes cubanos debateram durante quatro dias os temas que serão tratados no 6.º Congresso do Partido Comunista Cubano em abril, como a redução do aparelho estatal e uma ampliação do setor privado.

"Que ninguém pense que vamos ceder a propriedade. Vamos administrá-la de outra forma", disse Murillo, que também é vice-presidente do Conselho de Ministros. Ele citou como exemplo a decisão tomada há alguns anos pelas autoridades de oferecer terras ociosas em usufruto a produtores particulares, mas com a condição de que o Estado continue sendo o proprietário.

Durante a reunião, que foi liderada pelo presidente Raúl Castro e da qual participaram mais de 500 líderes partidários, foi elaborado um documento preparatório para o congresso intitulado "Projeto de alinhamento da política econômica e social", informou o Granma.

O documento propõe, entre outras coisas, desenvolver o setor privado, promover o investimento estrangeiro, reduzir os subsídios e captar novas fontes de financiamento para ressuscitar o descapitalizado aparelho produtivo.

Durante a reunião foram destacadas questões sensíveis como a necessidade de contar com pequenas cooperativas privadas e uma nova lei tributária. Também foi discutida a necessidade de se criar Zonas Especiais de Desenvolvimento que funcionem como polos produtivos e permitam a substituição de importações, os projetos de alta tecnologia e a criação de fontes de emprego.

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