Cuba amplia lista de opositores que serão soltos

Ao todo, 17 de uma relação de 52 presos serão enviados 'em breve' à Espanha, diz Igreja Católica; 3 dissidentes já teriam sido levados ontem a Havana

AFP E EFE, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

Subiu para 17 o número de presos políticos cubanos que devem ser enviados, a qualquer momento, para o exílio na Espanha, anunciou ontem o arcebispado de Havana. A Igreja Católica havia anunciado na quarta-feira que apenas cinco opositores seriam liberados "proximamente". Segundo a agência France Presse, ontem à noite 3 dos 17 dissidentes já estavam a caminho de Havana para serem soltos.

A libertação desses opositores deve ser o primeiro passo de um amplo acordo que soltará, em até quatro meses, 52 presos de consciência do regime cubano. Todos os dissidentes beneficiados foram detidos em 2003, na onda de repressão que ficou conhecida como "Primavera Negra". Se lavada adiante, essa será a maior libertação de presos cubanos desde 1998, quando 299 foram soltos após a visita do papa João Paulo II a Havana.

O acordo da semana passada foi firmado sob mediação do chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, que viajou a Cuba, e do arcebispo de Havana, Jaime Ortega. Ontem Moratinos disse esperar que os 17 dissidentes cubanos desembarquem na Espanha "a partir de segunda-feira".

De acordo com a France Presse, o opositor José Luis Paneque telefonou ontem para sua família dizendo que estava sendo levado para Havana, de onde embarcaria rumo à Espanha. Um ônibus buscaria os parentes do dissidente que quisessem acompanhá-lo no exílio. Outros dois opositores também já teriam sido retirados de suas prisões.

A Igreja cubana anunciou ontem pela manhã que, além dos cinco dissidentes cuja libertação havia sido prometida na semana passada, outros cinco seriam soltos em breve. Horas depois, o arcebispado voltou a elevar a cifra, dizendo que, ao todo, 17 dissidentes seriam enviados ao exílio.

Em resposta ao acordo anunciado na quarta-feira, o opositor Guillermo Fariñas encerrou a greve de fome que mantinha havia 135 dias. Segundo seus médicos, porém, Fariñas ainda encontra-se em estado grave e corre risco de morte.

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