Cuba aprova projeto de reformas econômicas

Entre as mais de 300 medidas de abertura ao setor privado está o comércio particular de imóveis; encontro vota nova cúpula do PCC, sem Fidel

, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

HAVANA

Os mil delegados do 6.º Congresso do Partido Comunista Cubano (PCC) aprovaram ontem o projeto de reformas proposto pelo presidente Raúl Castro, que inclui mais de 300 medidas de abertura ao setor privado, corte de empregos, redução dos subsídios, autogestão empresarial e descentralização do aparelho estatal, informou site oficial Cubadebate.

O tema da propriedade privada também entrou na discussão ontem, no penúltimo dia do encontro, e a compra e venda de casas por particulares foi uma das medidas aprovadas, segundo a TV estatal. Havana não deu detalhes sobre as nova regulamentação do comércio imobiliário. A agricultura da ilha foi discutida ontem. Os resultados serão apresentados hoje, no encerramento do congresso, mas, segundo a resolução divulgada pelo site oficial, "na atualização do modelo econômico primará o planejamento, que levará em conta as tendências do mercado".

Os cubanos vêm os resultados políticos e econômicos do congresso com uma mescla de esperança e otimismo, sempre atentos às medidas que afetarão suas vidas diárias, como a futura eliminação do livreto (a cesta básica subsidiada).

Nova cúpula. Antes de adotar o programa de reformas - que sofreu algumas modificações durante os dois dias de debate, os delegados votaram para eleger os novos representantes do Comitê Central do partido, que deverá oficializar a saída de Fidel Castro do cargo de primeiro-secretário do PCC.

Uma foto divulgada ontem por Havana mostrou o presidente Raúl Castro depositando um voto de aprovação à lista de candidatos ao comitê. Desde que o partido foi criado, em 1965, Fidel e Raúl eram, respectivamente, primeiro e segundo-secretário do PCC. Raúl deverá ser eleito primeiro-secretário e a função de segundo-secretário deverá ser assumida por um líder mais jovem - acredita-se que o ex-ministro das Finanças, Marino Murillo Jorge; desde 2009, ele é responsável por aplicar as reformas propostas pelo governo. / AFP e AP

NOVA DETERMINAÇÃO

Propriedade privada

O congresso do PCC aprovou a permissão para que particulares possam comprar e vender suas casas

Trabalho

Anúncio da concessão de crédito a autônomos

Moeda

Discussão do fim do câmbio duplo, que atualmente determina duas cotações

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