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Cuba aproveita Cúpula das Américas para atrair investimentos dos EUA

Na véspera da abertura da 7.ª Cúpula das Américas, o governo cubano fez ontem uma ofensiva para atrair investimentos de empresas da região com a promessa de incentivos, respeito à propriedade privada, acesso a mão de obra qualificada e a construção de um "socialismo eficiente". 

CLÁUDIA TREVISAN, ENVIADA ESPECIAL, CIDADE DO PANAMÁ, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2015 | 02h03

Falando a 700 executivos na Cúpula de CEOs, o ministro de Comércio Exterior da ilha, Rodrigo Malmierca Díaz, disse que seu país está em uma nova fase de inserção no cenário econômico internacional.

A estreia de Cuba na área empresarial da Cúpula das Américas antecedeu o esperado encontro entre os presidentes Barack Obama e Raúl Castro, que estarão juntos na noite de hoje na abertura oficial da reunião.

A reaproximação entre Havana e Washington, iniciada em dezembro, promete ser o principal assunto do evento, que pela primeira vez terá a participação de Cuba. EUA e Brasil tentam, nos últimos dias, reduzir o risco de a tensão entre americanos e venezuelanos roubar a cena. A presidente Dilma Rousseff conversou por telefone com o colega da Venezuela, Nicolás Maduro, e o conselheiro do Departamento de Estado americano Thomas Shannon foi a Caracas.

Depois de falar aos CEOs, o ministro cubano se reuniu com Thomas Donohue, presidente da Câmara de Comércio dos EUA, a mais poderosa entidade empresarial do país, com 3 milhões de filiados. Ambos estavam acompanhados de representantes de cerca de 20 empresas de cada país. Segundo um dos participantes, foi uma reunião de "negócios", na qual os cubanos apresentaram os projetos nos quais estão envolvidos.

Antes da reunião, Malmierca havia declarado no fórum de CEOs que seu governo não "discrimina" companhias americanas, apesar da manutenção do embargo econômico dos EUA contra Cuba. O ministro chamou de "acontecimento de caráter histórico" o anúncio feito em dezembro por Obama e Castro de que os países retomariam relações diplomáticas depois de cinco décadas de rompimento.

Os passos de Cuba na direção de uma maior abertura econômica, no entanto, começaram antes, com a aprovação em meados do ano passado de uma lei sobre a entrada de capital externo produtivo. "Ampliamos nossa visão sobre o papel do investimento estrangeiro e o reconhecemos como um elemento ativo e fundamental para o crescimento de determinados setores e atividades econômicas", disse Malmierca ontem.

O governo cubano distribuiu aos participantes do encontro um catálogo com 246 empreendimentos, no valor de US$ 8,7 bilhões, que podem recebem capital. De acordo com o ministro, o país precisa de US$ 2,5 bilhões ao ano de investimentos externos para se desenvolver.

De acordo com Malmierca, entre os atrativos para estrangeiros estão investimentos recentes em infraestrutura, como o Porto de Mariel, construído pela Odebrecht com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) brasileiro.

Em painéis distintos, o fundador do Facebook, Michael Zuckerberg, e o CEO do Citigroup para a América Latina, Francisco Aristeguieta, disseram que analisam a possibilidade de investir em Cuba. "Há países nos quais não há um política econômica aberta hoje e nos quais não é possível operar para nós. Mas um dia, à medida que Cuba se abra, será algo que vamos considerar. Definitivamente se encaixa na nossa missão", afirmou Zuckerberg.

Durante sua apresentação, o ministro cubano ressaltou que seu governo tem interesse em ampliar o acesso da população à internet.

Obama disse ontem que o Departamento de Estado concluiu o processo de revisão que pode levar à retirada de Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo, um passo essencial no processo de retomada das relações diplomáticas. O presidente ressaltou, no entanto, que a recomendação deveria passar por análise de outras agências antes de chegar às suas mãos.

Existe a expectativa de que Obama anuncie a exclusão de Cuba da relação durante a Cúpula das Américas. A ilha faz parte da lista desde 1982, ao lado de Irã, Sudão e Síria. A Coreia do Norte foi retirada em 2008 por decisão do ex-presidente republicano George W. Bush. Obama terá de comunicar sua decisão ao Congresso. Os parlamentares terão 45 dias para analisar a medida e podem rejeitá-la neste período.

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