Federico Parra/ AFP
Federico Parra/ AFP

Cuba barra e expulsa ex-presidentes de Colômbia e Bolívia

Andrés Pastrana e Jorge Quiroga foram retidos em aeroporto e expulsos do país; eles receberiam prêmio ligado à dissidência cubana

O Estado de S.Paulo

07 Março 2018 | 17h49
Atualizado 07 Março 2018 | 21h04

Andrés Pastrana e Jorge Quiroga, ex-presidentes de Colômbia Bolívia, foram retidos nesta quarta-feira, 3, de Cuba , onde seriam homenageados com um prêmio entregue por dissidentes cubanos. Os ex-líderes foram informados que não tinham a entrada autorizada no país. Outros ex-presidentes latino-americanos prometeram comparecer ao evento e especulava-se que poderiam receber o mesmo tratamento. 

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Depois de passar duas horas no terminal, Quiroga e Pastrana foram enviados para a Colômbia. “Perguntei por que não nos deixaram entrar e disseram que não fomos autorizados pelo governo cubano”, disse Pastrana à rádio colombiana W. 

Pastrana afirmou acreditar que a negativa de Cuba era uma resposta a suas críticas ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, principal sócio político de Havana. Pastrana governou a Colômbia entre 1998 e 2002. Em seu governo, a negociação em uma zona desmilitarizada com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) permitiu à guerrilha ampliar seu poder militar. 

Quiroga presidiu a Bolívia entre 2001 e 2002, após a renúncia de Hugo Banzer Suárez. Ele foi derrotado por Evo Morales por duas vezes, em 2005 e 2014. “Retidos por duas horas em um escritório pequeno com duas câmaras filmando tudo. Honrados de ser deportados pela ditadura cubana, por sermos ‘inadmissíveis’”, afirmou Quiroga. Ambos aterrissaram na capital cubana em um voo da companhia aérea Avianca procedente de Bogotá. Os dois ex-presidentes fazem parte da Iniciativa Democrática da Espanha e das Américas (Idea), que reúne líderes ibero-americanos de centro-direita. 

 Outros políticos latino-americanos foram convidados pela dissidência cubana para participar do prêmio, entre eles o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro. Ontem, o governo cubano disse que não permitiria a entrada de Almagro. Ele foi vetado em outra oportunidade, no ano passado. 

Repressão. A filha de Payá, que preside a rede que entrega o prêmio, foi pessoalmente ao aeroporto para receber os ex-presidentes. Ao menos dez ex-presidentes tinham confirmado presença no evento, segundo a organizadora, que entrega a premiação em sua própria casa.

Almagro solicitou um visto para viajar a Cuba e diz que “segue esperando uma resposta”, segundo informou à EFE um de seus assessores. É improvável que o governo cubano conceda o visto ao secretário da OEA, depois de o jornal estatal Granma publicar um artigo dizendo que o diplomata não é bem-vindo ao país. “Sua visita é uma provocação que tem como objetivo criar instabilidade e prejudicar a imagem internacional do país”, diz o texto.

No ano passado, na primeira edição do prêmio Payá, Almagro também quis viajar a Havana para receber o prêmio que havia recebido, mas as autoridades cubanas lhe negaram a entrada. Na ocasião, também foi negada a entrada do ex-presidente mexicano, Felipe Calderón, e da ex-ministra chilena Mariana Aylwin, que tinham sido convidados para a entrega do prêmio.

Apesar das recentes reformas econômicas e da abertura política que culminou com a retomada de relações diplomáticas com Washington, o governo cubano ainda limita severamente a atuação dos dissidentes no país, o que tem sido alvo de críticas da comunidade internacional, especialmente da União Europeia e dos Estados Unidos. 

A expulsão de Quiroga e de Pastrana ocorre a pouco menos de um mês da saída de Raúl Castro do poder, o que deve encerrar quase 60 anos de controle formal da família Castro na ilha. O irmão de Fidel deve ser substituído por outro integrante da burocracia cubana em abril. / EFE e AFP

 

 

 

 

 

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