Cuba condena 14 cubanos e 3 canadenses em caso de corrupção

Alguns diplomatas consideram as provas fracas e companhia canadense acusada chamou o processo de 'paródia da justiça' 

O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 14h46

HAVANA - Um caso de corrupção em Cuba levou à prisão 14 cubanos, entre eles funcionários do alto escalão, condenados a penas entre 6 e 20 anos, e três executivos de uma empresa canadense, informou a companhia no domingo 28.

O caso provocou um forte ceticismo entre diplomatas, que consideram as provas fracas e dizem que a condenação ameaça alienar investidores estrangeiros no momento em que Cuba busca parceiros comerciais no exterior. Além disso, pode prejudicar a relação entre Cuba e Canadá.

Os 17 suspeitos foram condenados pelo caso em torno do Grupo Tokmakjian, que reuniu acusações de suborno, falsificação de documentos, fraude, evasão de divisas e evasão fiscal.

A companhia canadense, com sede em Concord (Ontário), fazia negócios em Cuba há mais de 20 anos, principalmente vendendo equipamentos de transporte, mineração e construção, com receitas anuais em torno de US$ 80 milhões.

A condenação do fundador do grupo, Cy Tokmakjian, e outros dois executivos foi anunciada no sábado. Tokmakjian, de 74 anos, foi sentenciado a 15 anos de prisão, dos quais já cumpriu três.

Os executivos Claudio Vetere e Marco Puche foram sentenciados a 12 e 8 anos de prisão cada um, disse Lee Hacker, porta-voz e executivo financeiro da empresa. Segundo ele, o suspeito cubano Nelson Labrada, ex-vice-ministro do extinto Ministério do Açúcar, foi sentenciado a 20 anos de prisão.

Ernesto Gómez, antigo diretor de uma companhia estatal produtora de níquel, a Ferroníquel Minera, foi condenado a 12 anos de cadeia.

Os executivos da companhia canadense e os cubanos condenados foram incluídos em uma investigação do setor comercial internacional de Cuba, em meio a uma ofensiva contra a corrupção empreendida pelo presidente Raúl Castro.

A companhia canadense classificou o processo como "farsa de julgamento" e "paródia de justiça". Cuba confiscou, ainda, cerca de US$ 100 milhões em ativos da companhia. / REUTERS

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