Cuba condena diretores de estatal por corrupção

Doze funcionários da Cubaníquel pegam de 4 a 12 anos de cadeia por irregularidades em um projeto da empresa

HAVANA, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2012 | 03h02

A Justiça de Cuba condenou à prisão 12 integrantes da diretoria da empresa estatal Cubaníquel suspeitos de corrupção, anunciou ontem o governo do país. Os funcionários - entre eles três ex-vice-ministros da pasta da Indústria Básica - cometeram os delitos "durante o processo de negociação, contratação e execução do projeto de expansão da fábrica Pedro Soto Alba, localizada em Moa (leste), para extração, refino e comercialização de níquel e cobalto".

O julgamento, que resultou em penas de 4 a 12 anos de cadeia aos condenados, faz parte de uma ofensiva contra a corrupção que o presidente Raúl Castro determinou quando assumiu, em 2006.

Casos envolvem autoridades e pelo menos três empresas: duas canadenses e uma britânica. As denúncias, reveladas sempre após as determinações do Judiciário sobre os processos, atingiram vários setores - principalmente a aviação civil, as telecomunicações e a produção de charutos - em meio às reformas econômico-sociais que o governo tem aplicado nos últimos anos.

O níquel é a principal exportação de Cuba e o polo produtor de Moa, na província oriental de Holguín - a cerca de 700 quilômetros de Havana - é parte de uma empresa de capital misto, financiada pelo Estado cubano e pela companhia canadense Sherritt International.

Há quase dois anos, a então ministra da Indústria Básica, Yadira García, foi destituída do cargo por "deficiências" no controle dos investimentos e da produção do setor. Até ontem, nenhuma informação sobre detenções ou investigações de funcionários envolvidos no processo tinha sido divulgada.

Os condenados estavam envolvidos em um projeto de ampliação do polo de Moa que buscava elevar a produção de níquel no local de 30 mil para 49 mil toneladas ao ano. Em 2005, um acordo entre o governo cubano e a empresa canadense previu um investimento de US$ 450 milhões, divididos em partes iguais.

Segundo dados oficiais, a exportação de níquel rendeu US$ 1,1 bilhão a Cuba em 2010. O país tem reservas comprovadas de 800 milhões de toneladas do mineral. Estima-se que Havana exporte 75 mil toneladas da matéria-prima anualmente. / AFP e REUTERS

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