Cuba detém 70 dissidentes de grupo opositor

O governo cubano prendeu durante o fim de semana cerca de 70 opositoras ligadas às Damas de Branco - entre elas, a atual líder da entidade, Berta Soler, que foi detida ontem, pouco antes da manifestação semanal organizada pelo movimento em Havana.

HAVANA, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2012 | 03h02

Trinta integrantes do grupo opositor foram presas antes dos protestos de ontem, que, apesar do desfalque, ainda contou com quase 20 manifestantes. Quando o grupo resolveu sair da Quinta Avenida, porém, onde o governo autoriza que a marcha seja feita todas as semanas, e tomar outras vias de Havana, todas as damas foram conduzidas pela polícia a um ônibus das autoridades cubanas.

"Elas foram presas", disse o ex-preso político Ángel Moya Acosta, marido de Berta. O opositor afirmou que sua mulher também foi detida na noite do sábado, por pouco tempo.

Segundo a dama de branco Magaly Norvis Otero Suárez, outras 16 opositoras foram detidas anteontem à noite, enquanto tentavam realizar uma marcha em Havana. As dissidentes estavam reunidas diante da casa de Laura Pollán, morta em outubro, para lembrar o aniversário da Primavera Negra de 2003, última onda repressiva do governo de Fidel Castro. Originalmente, as Damas de Branco eram compostas pelas mulheres dos 75 opositores cubanos foram presos naquela ocasião.

De acordo com Elizardo Sánchez, presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, 12 dissidentes foram presas em outras províncias da ilha.

Atualmente, o governo cubano tem detido opositores por algumas horas ou poucos dias, quase sempre antes de protestos ou durante manifestações.

Papa. Na semana passada, as autoridades cubanas retiraram, a pedido da Igreja Católica,13 dissidentes que ocuparam a Basílica Menor da Nossa Senhora da Caridade, em Havana, para pedir a mediação da instituição religiosa em um diálogo com os opositores cubanos.

O papa Bento XVI tem viagem marcada para Cuba - onde deverá encontra-se com Fidel - entre os dias 26 e 28.

De acordo com Sánchez, as recentes detenções "estão criando um clima desfavorável para a visita" do pontífice. / REUTERS e AP

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