Cuba detém dissidentes antes de visita do papa

Autoridades cubanas detiveram uma importante dissidente e dezenas de suas colegas na manhã de domingo, além de prender outras ativistas quando eles realizaram um protesto semanal por Havana. A medida foi tomada há poucos dias da chegada do papa Bento XVI, que visitará o país. A polícia deteve Bertha Soler e 30 integrantes do grupo Damas de Branco, horas antes da realização de uma marcha regular pela Quinta

AE, Agência Estado

19 de março de 2012 | 09h23

Avenida, no arborizado bairro de Miramar, na capital cubana.

"Elas foram presas", disse Angel Moya, marido de Soler e ex-preso político. Soler já havia sido detida por um breve período na noite de sábado, informou ele.

Cerca de outras 30 mulheres que apoiam o grupo realizaram a marcha, que começou pacificamente, mas agentes de segurança entraram em ação quando as mulheres tentaram passar por ruas para onde normalmente não se encaminham.

Todas foram levadas para um ônibus pertencente às forças de segurança. Até a noite de domingo, muitas já haviam sido libertadas e algumas levadas de volta para suas casas, mas Soler aparentemente continuava detida.

O Departamento de Estado norte-americano criticou a detenção de Soler e de outras ativistas. "Nós condenamos fortemente este ataque a membros pacíficos da sociedade civil cubana", afirmou a porta-voz Neda A. Brown. "O fato de tantas integrantes das Damas de Branco terem sido detidas pelo governo cubano, quando se reuniam para serviços religiosos quase uma semana antes da visita do papa é particularmente repreensível e viola a norma democrática do hemisfério ocidental."

O grupo Mulheres de Branco foi formado em 2003, logo depois que as autoridades cubanas detiveram 75 intelectuais, ativistas e comentarias sociais durante uma notória repressão contra os dissidentes, que receberam longas penas de prisão. Todos já foram libertados e muitos partiram para o exílio.

Cuba libertou a maioria de seus prisioneiros políticos, mas grupos de direitos humanos disseram que o governo do presidente Raúl Castro intensificou a aplicação de prisões curtas e outras formas de perseguição contra a pequena oposição da ilha.

As prisões ocorreram uma semana antes da visita do para Bento XVI ao país, marcada para os dias 26, 27 e 28. A medida do governo ocorre também dias depois de o cardeal da igreja católica Jaime Ortega ter pedido à polícia que retire 13 membros da oposição que ocuparam uma igreja do centro de Havana por dois dias. As informações são da Associated Press.

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