''Cuba deveria ser mais tolerante, pois está mostrando o risco do primitivismo''

''Cuba deveria ser mais tolerante, pois está mostrando o risco do primitivismo''

ENTREVISTA

João Paulo Charleaux, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

José Mujica. Presidente do Uruguai

O presidente uruguaio, José Mujica, reuniu-se ontem com seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília. Em entrevista ao Estado, ele defendeu o Mercosul e criticou a repressão em Cuba.

Como o sr. avalia o resultado de sua visita ao Brasil?

Voltamos com avanços para os dois países. Conversamos muito sobre o padrão de TV digital e sobre a fluidez do comércio bilateral. O Brasil pediu que não discriminemos sua carne por razões sanitárias. Ouvimos tudo e vamos equilibrar isso com a preocupação de respeitar nosso mercado interno.

O sr. pede um espaço maior para o Uruguai no Mercosul?

Sim, é verdade. O Brasil já é nosso principal cliente (o comércio entre os dois países chegou a US$ 2,6 bilhões em 2009, sendo US$ 1,3 bilhão favorável às exportações brasileiras). O Mercosul tem muitos defeitos, mas o maior de todos seria abandoná-lo. O mundo está globalizado e nós não podemos ficar divididos. Não podemos deixar que nada nos divida. A discussão é como melhorar o Mercosul.

Como o sr., que foi preso político na ditadura uruguaia, vê a situação, hoje, dos prisioneiros políticos em Cuba?

O mundo não tem a tolerância que deveria ter. É uma pena. Enquanto existir a possibilidade do recurso à força, à brutalidade, à guerra e à intolerância, estaremos sujeitos ao primitivismo. Toda intolerância deve ser evitada.

O presidente costa-riquenho e prêmio Nobel da Paz, Oscar Árias, disse que pediria ao sr. que extinguisse as Forças Armadas do Uruguai. O que o sr. tem a responder a ele?

É uma proposta muito bonita. Não lutaremos contra ninguém, é claro. Mas a verdade é que temos muitos problemas de fronteira, de contrabando e de narcotráfico. Esta é nossa realidade hoje.

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