Cuba divulga lista de presos libertados e opositor põe fim a greve de fome

A Igreja Católica cubana divulgou ontem a lista dos 5 presos políticos que seriam soltos imediatamente, precedendo a libertação de outros 47 prisioneiros de consciência, de acordo com o compromisso assumido na quarta-feira pelo líder Raúl Castro com o cardeal de Havana, Jaime Ortega, e o chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos.

, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

Horas antes, o jornalista dissidente Guillermo Fariñas anunciou o fim de sua greve de fome de mais de quatro meses para pedir a libertação de 25 presos políticos que estão doentes. Há 134 dias sem comer, Fariñas está num hospital onde recebe nutrição por sonda.

Segundo o Arcebispado de Havana, os primeiros libertados, que poderão viver na Espanha com suas famílias, são Antonio Villarreal, Lester González, Luis Milán, José Luis García e Pablo Pacheco (mais informações nesta página). Inicialmente, o governo anunciara que eles seriam soltos ainda na quarta-feira.

Os 5 fazem parte do grupo de 75 jornalistas, ativistas e dissidentes presos em 2003 na onda repressiva conhecida como Primavera Negra. Na época, eles foram acusados de "sabotar a revolução, sob ordens e financiamento do governo dos EUA ou de grupos contrarrevolucionários radicados em território americano".

Na quarta-feira, Raúl também se comprometeu a libertar todos os integrantes desse grupo que ainda estão presos em "três ou quatro" meses. Além disso, até que sejam postos em liberdade, seis presos devem ser transferidos para cadeias mais próximas de seu local de residência.

Logo após o anúncio das promessas, Fariñas tinha dito que abandonaria a greve de fome depois que pelo menos 12 prisioneiros fossem soltos. Ontem, porém, dissidentes, blogueiros e mulheres de presos políticos viajaram para a cidade do jornalista - Santa Clara, no centro de Cuba - para convencê-lo a antecipar o fim do protesto.

"Estou aqui para dizer a Coco Fariñas (apelido do jornalista) que ele conseguiu. Chega de mortes. Pátria e vida", escreveu a blogueira Yoani Sánchez em seu Twitter, antes de chegar ao hospital.

Fariñas terminou a greve tomando água e, em um comunicado, explicou que o protesto foi adiado por quatro meses - o prazo final para Raúl libertar 52 presos políticos. "Comprometo-me a me curar diante de meus irmãos", disse o jornalista. "Esse confronto entre democratas e antidemocratas não tem vencedores nem vencidos. Quem ganhou foi Cuba, nossa pátria."

O jornalista começou seu jejum em fevereiro, depois da morte do preso político Orlando Zapata, que fez 85 dias greve de fome para protestar contra as condições das prisões cubanas. O caso atraiu a atenção da comunidade internacional.

No mês seguinte, tiveram grande repercussão os protestos das Damas de Branco - mulheres, mães, irmãs e filhas dos dissidentes presos na Primavera Negra. Em seu comunicado, Fariñas ressaltou o trabalho "heroico" das Damas de Branco. Ele também agradeceu a solidariedade "dos homens e mulheres de boa vontade no mundo" que teriam formado seu "escudo protetor contra a repressão" do regime cubano.,

LIBERTAÇÃO IMINENTE

Antonio Villarreal

Coordenador do Projeto Varela, abaixo-assinado em favor de reformas democráticas no país.

Economista de 60 anos, foi condenado a 15 anos por ações contra a integridade territorial

Léster González

Jornalista, de 33 anos, é cofundador do Movimento para a Democracia. O mais jovem dos presos foi sentenciado a 20 anos por ação contra a integridade territorial e a independência

Luis Milian

Médico, de 40 anos, integrante da Associação Médica Independente de Cuba. Foi condenado a 13 anos por violar a lei de proteção da independência e da economia

José Luis García

Médico e jornalista independente, de 45 anos, foi coordenador do Projeto Varela. Foi condenado a 24 anos por violar a lei de proteção da independência

Pablo Pacheco

Jornalista independente, de 40 anos, foi condenado a 20 anos por violar a lei de proteção da independência. Participa de um blog com textos ditados da

prisão

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